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sábado, 18 de abril de 2015

Mulher-poema

“Na calada da noite 
plantei palavras-flor 
aos pés de Morfeu. 
Sob o signo da Lua 
o Sonho se fez Verbo.
Amanheci mulher-poema.”


sc/18/04/2015 Postado hoje no face.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Poema-me


Pela sétima vez estarei publicando em Lisboa, pela editora Lua de Marfim.
Gratidão!

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Dali das palavras


Dali das palavras 
por vezes enlouqueço 
a versejar do fim  
para o começo 
letras e tretas 
vãs ou endiabradas 
ocultas sob um véu 
ressurgem exorcizadas    
e lambuzadas de mel 
então as viro do avesso 
para jogá-las ao léu 
processo que me diverte.

Se há até quem interprete 
das nuvens o ir e vir sob o céu 
por que não (se) poderia 
transgredir todo bom senso 
subverter o consenso 
adentrar o surreal 
loucuras compartilhar 
é o que penso e repenso 
porém, no momento mesmo 
de compartir a louquice 
fico pasma e enrubesço  
passo a rodar a esmo 
não ousando publicar 
permaneço na mesmice 
mas um dia hei de voar 
quiçá o baú reabra 
e liberte toda a carga. 

Deixo aos amigos por hora    
essa questão que me intriga 
vale a pena versejar 
andando sempre na linha 
ou é melhor liberar 
minha Caixa de Pandora 
mesmo tendo que pagar 
alto preço vida a fora? 

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Tênue tecido vital


Tênue tecido vital

 

“Passo a passo prosseguia

sem  dar atenção ao   

invasor a esgarçar-lhe 

a área  patelar

até transformar 

seus garbosos passos 

em trôpego andar.   

Apegando-se tão só 

ao  tempo presente

caçador que era

de  prazeres  sensórios 

acreditava-se imune 

às garras do futuro.     

De súbito a doença    

insidiosa prostrou-o 

e   a  vida virada 

do avesso  esgarçou

o tênue tecido mental 

que revestia seu  

viver ilusório.    

Em decúbito 

dorsal   puseram-no

 dependente a aguardar 

que o tempo

esgarçasse de vez 

sua  textura vital.”

 

sc/06/10/94 – 16h35 : A poesia foi escrita há algum tempo...  Há poucos minutos, ele encontrou, enfim, a Paz!!! 

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Sugestão


“Não sei se por pudor 

ante tanto terror 

me ocorreu sugerir 

plantar uma semente 

reencantar a vida sofrida 

falar de amor 

somente.”

 

Sc/21/08/2014

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

De onde vem?


De onde vem?

 

“De onde vem 

essa ânsia 

incontida 

de tentar entender 

o paradoxo da vida 

de transcender 

saber  ler  

além da matéria 

da miséria 

de um mundo 

complexo 

às vezes bom 

outras  perverso?

De onde vem 

esse som 

esse tom 

de compaixão 

esse dó 

re mi fa 

sol la si 

qual música 

das esferas 

a me rondar 

sem se fazer ouvir? 

De onde vem 

essa Luz

que me cega 

esse calor 

abrasador  

que enregela 

o coração?  

Que paixão é essa 

que não tem fundo 

meus cabelos eriça 

me atravessa 

a alma e a razão 

e me obriga 

a escrutar 

cada estrela 

cada teia 

cada sonho 

cada grão 

de areia 

em busca  da unidade

do multiverso? 

Faz sentido 

tentar harmonizar

o anverso 

e o reverso 

ou é tudo é em vão 

e sou um caso perdido?”

 

sc/04/08/2014

 

 

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Normais?


NORMAIS?

 

 “As pessoas 

mais normais 

são tão  

paradoxais  

umas menos 

outras mais 

sem que haja 

exceção 

são sadias 

são doentes 

maldosas 

benevolentes 

pretensiosas 

carentes   

falíveis 

onipotentes 

são leais 

são traidoras 

inaptas 

competentes 

submissas 

prepotentes 

invejosas 

altruístas 

pacientes 

irascíveis 

diferentes 

tão iguais 

as pessoas 

são incríveis.” 

 

sc/DEZ/2012 

 

 

terça-feira, 22 de julho de 2014

Maria Alice


Maria Alice

 

“Grande amiga, quase irmã 

gostava de codinomes 

chamava-me Suzi Bel 

tratava-a por Mary Mel 

loucura pouca é bobagem 

dizia com muito charme 

mas um dia extrapolou 

e lançou um desafio 

pra testar minha coragem 

propôs um pacto à antiga 

só se não for de sangue 

manguei com a minha amiga 

me encarou falando a sério 

quem de nós morrer primeiro 

dá um jeito de voltar 

e contar todo mistério 

ponto a ponto por inteiro 

dessa passagem secreta 

e qual será nosso código 

perguntei de brincadeira 

prontamente respondeu 

proponho um puxão na perna 

ou uma boa gargalhada.

 

Como sói acontecer 

o tempo se encarregou 

de afastar nossos caminhos 

mas um dia a encontrei 

e perguntei se lembrava 

do nosso trato maluco 

Alia jacta est 

 não tem como sair dessa 

foi o que me respondeu 

o pacto está selado  

pra confirmar brindaremos

com um gole deste suco 

de uva a lembrar o sangue

rimos e nos abraçamos  

novo encontro combinamos 

mas por obra do destino 

mão mais nos reencontramos.

Eis, porém, que certo dia 

não muito tempo depois

o telefone tocou... 

tive um doloroso impacto 

um mal súbito a levara 

alguém me comunicou 

sequer me lembrei do pacto 

e o  tempo foi passando 

a vida continuando 

a memória se esgarçando  

até que ontem, do nada 

me bateu uma saudade...

e eis senão que de repente 

um arrepio me percorreu 

 tive a nítida impressão  

de ouvir sua risada 

debochada, escancarada.

Seria imaginação?   

Na dúvida, fico alerta 

de alma e de mente aberta 

a qualquer revelação 

e aqui me comprometo 

a transmitir  aos leitores 

toda e qualquer descoberta.

Pacta  sunt servanda!”

 

sc/22/07/2014

 

 

 

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Relação Ambivalente


Relação Ambivalente

 

 

“Travo com as palavras  

relação de intimidade

ambivalente

quase...pecaminosa

eu as provoco

elas me desafiam

sirvo-as em bandeja de prata

me expõem em praça pública

fustigo-as durante o dia

atormentam-me à noite

inverto-as e subverto-as

mas se recompõem

à minha revelia 

e quando creio  

estar no comando

percebo-me à sua mercê.

 

Brincalhonas

diria mesmo 

abusadas  

escondem-se quando  

mais delas necessito

e reaparecem

debochadas

em horas inoportunas

pretendem-se poderosas 

porque as realço

em toda a força

de seus significados

pretendem-me frágil

porque se acreditam

a ultima ratio

de minha existência. 

 

Nada obstante

eu as venero

descendentes que são

do próprio Verbo Divino.

 

Sc/16/07/2014.

Adaptação poética de reflexão postada aqui, em data de 28/10/09, sob o Marcador Reflexões

 

segunda-feira, 2 de junho de 2014

A CARTA


A  C A R T A

 

Por que partiste 

Amada minha? 

Uma a uma 

As lembranças manuseio 

Quais cartas que, relendo,  

Saboreio apalpo aspiro  

Tão somente com receio 

De lavá-las com meu pranto, 

Saudosa de teu olhar 

De gata mansa... 

Onde quer que estejas 

Mãezinha querida  

Recebe esta cartinha    

Mas não te preocupes 

Com as agruras 

Desta breve vida minha 

Nem te deixes levar, 

Como eu, pela saudade 

Apenas repousa   

Pois cedo ou tarde 

Bem o sabemos 

Nos reencontraremos 

Enquanto aguardas 

Minha gatinha 

Desfruta da paz 

Que tanto almejaste. 

Descansa...

 

Sc/Publicada na Colectânea “Cartas”, lançada sábado (31/05/2014) pela Lua de Marfim Editora, em Lisboa Portugal.

 

 

 

 

 

    

 

 

sábado, 1 de fevereiro de 2014

"O Mundo da Lua"


O Mundo da Lua 

 

Há exatos trinta anos 

você atravessou meu caminho 

sequer um carinho trocamos 

a não ser aquele beijinho 

que minh’alma perfurou 

minha lucidez sombreou.

 

Ah, o dourado perfeito 

daquele tufo em seu peito 

o verde-mar tão profundo 

daquele olhar vagabundo 

que por pouco, muito pouco

não transforma o meu caminho 

mas balançou o meu mundo. 

 

Chorei rios mares oceanos 

de uma paixão desmedida 

plena de atos insanos 

de dia até disfarçava 

à noite soltava o pranto 

e os alvos lençóis molhava. 

 

Penélope revivida 

confeccionei muitos mantos 

mas você, Odisseu, não voltou  

sequer notícias mandou 

e eu prossegui na vida 

a tecer o cotidiano 

do sofrimento esquecida. 

 

Há exatos trinta anos 

você não chegou a ser meu 

eu não cheguei a ser sua 

mas por baixos e altiplanos 

por dias meses e anos 

andei no Mundo da Lua. 

 

 

Você não chegou a ser meu 

Eu não cheguei a ser sua 

Mas por dias meses anos 

Andei no ‘mundo da lua’.

 

Publ. na Antologia “O Mundo da Lua” que está sendo lançada hoje (01/02/2014)  em Lisboa, Portugal, pela Lua de Marfim Editora, em grande festa comemorativa de seu aniversário.  Ainda não tive acesso aos nºs das páginas respectivas.

domingo, 24 de novembro de 2013

Reciclagem


R e c i c l a g e m 

 

“Manhã cinzenta e preguiçosa 

águas poluídas da lembrança 

se aproveitam e tentam 

inundar-me a mente  

reajo instantaneamente: 

Vade retro, Satanaz, 

abordagem desastrosa, 

da reciclagem sou az! 

Preparo um tiro certeiro 

me atiro de corpo inteiro  

a competente chuveiro 

e sob a água corrente 

lanço-me à aventura 

brincadeira que me apraz 

de empreender releitura 

dessa malfadada história: 

transformo em literatura 

a lembrança impertinente

que agora, sob o ralo, jaz.” 

 

sc/24/11/2013.

 

 

 

 

 

E cheia de esperança 

 

domingo, 17 de novembro de 2013

T é d i o


T é d i o 

“Entediada 

na ausência   

de inspiração 

pela janela 

espio e sorrio 

ante a visão  

engraçada 

de uma cadela 

apressada 

e uma dona  

que inocente 

tenta segurar 

a corrente 

toda crente   

de que é ela 

quem a leva  

a passear.” 

 

sc/ 17/11/2013.

 

 

 

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Inverno


I n v e r n o  
 
Minha vida já se faz inverno 

Em que pesem os tons primaveris  

E os resquícios de verões acalorados 

Em que dancei labaredas no inferno 

Mas também flanei em céus iluminados 

Por entre estrelas e arcanjos bem sutis 

Que tantas lutas gentilmente (de)cantaram 

Desta longa e tortuosa caminhada 

E foram tantos, oh quantos! 

Tantos foram meus perfis  

Que os ventos  outonais arrebataram...  

Quiçá não veja a próxima florada. 

 

sc/21/10/2013. 

 

 

domingo, 18 de agosto de 2013


VIDA BURLESCA

 

“Escrevo de corpo e alma 

tanto em prosa quanto em verso 

não sei se é minha a alma 

ou se é do Universo 

escrevo no dia a dia 

e também na noite adentro 

em busca do epicentro 

que deflagra a inspiração 

mas por vezes confusão 

perco a calma a alma a palma

afundo em melancolia 

elucubro e tergiverso 

busco nova melodia 

mudo o tom e desconverso 

finjo estar em euforia 

novos rumos nova vida 

em altos brados proclamo 

tentando me convencer 

de que há como escapar 

das tramas que as moiras tecem 

embora no fundo eu saiba 

que não passa de utopia.

 

Resultado adverso 

por fim me dou por vencida 

faço a volta e recomeço 

sigo em frente 

enfrento a mente 

e torno ao que mais eu amo 

plantando nova semente    

escrevendo dia a dia 

escrevendo noite a dentro 

mente, alma e corpo acalmo   

linha a linha palmo a palmo 

linhas retas linhas tortas 

nas ondas do meu viver    

pois são muitas as questões 

que espero resolver 

são dores e são mazelas 

tristezas e esparrelas 

são dúvidas e ideais 

caminhos a percorrer. 

 

Será que fazem sentido  

tantas considerações 

poético-filosóficas 

ou simplesmente serão 

palavras desavisadas 

e meramente utópicas 

embora as tenha vivido 

na alma e no coração 

ah! quem sabe busco em vão 

 entender qual a razão 

de estarmos a girar 

nessa nave gigantesca 

no Cosmos a penetrar 

tendo uma visão dantesca 

do espaço sideral 

sem sequer poder saber

quem somos pra onde vamos...

ah! a condição humana 

sempre paradoxal 

por vezes angelical 

por vezes animalesca...    

que situação burlesca!”

 

sc/ 2013

Publ. in “Palavras Desavisadas de Tudo – Antologia Scortecci de Poesias, Contos e Crônicas 2013” vol.I, 1.ed., SP:Scortecci, 2013, pág.232/233.

 

 

quarta-feira, 3 de julho de 2013

A vida num sonho


A VIDA NUM SONHO

 

“Embora o prazo de validade já 

se aproxime de seu termo 

e as páginas  amarelecidas 

mal suportem novos carimbos 

tento honrar  o passaporte 

que me foi  concedido 

para atravessar  a dimensão 

do tempo  mera passagem 

de formas  a projetar 

incompletudes entre si. 

Foto já um tanto obscurecida 

minhas vistas obnubiladas 

não mais a reconhecem 

pouco importa porquanto 

sei que restam  apenas 

poucas  fronteiras a cruzar    

muitas doações entretanto 

ainda serão necessárias 

até que eu consiga  

me desfazer  das tantas 

quinquilharias  acumuladas 

lembranças arraigadas

na volúpia do apego 

dolorosas penas. 

Firmei propósito no entanto 

de atravessar  com leveza  

e humildade a última aduana 

que me levará  de volta ao lar 

qual filha pródiga carregarei  

tão somente as peças necessárias 

ao último lance  do jogo 

de uma vida atrevida

que se acreditou bem vivida 

realizada e soberana 

mas que na verdade

transcorreu insana 

sofrida e manipulada.

Acordo sobressaltada 

teria  eu viajado 

ou meramente sonhado?”

 

sc/janeiro/2013 

*Publ. na Antologia “A Vida num Sonho”, Lisboa, Portugal:Lua de Marfim Editora, 2013, p.88/80.