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segunda-feira, 23 de novembro de 2015
sábado, 18 de abril de 2015
Mulher-poema
“Na calada da noite
plantei palavras-flor
aos pés de Morfeu.
Sob o signo da Lua
o Sonho se fez Verbo.
Amanheci mulher-poema.”
sc/18/04/2015 Postado hoje no face.
sexta-feira, 17 de abril de 2015
terça-feira, 16 de dezembro de 2014
Dali das palavras
Dali das palavras
por vezes enlouqueço
a versejar do fim
para o começo
letras e tretas
vãs ou endiabradas
ocultas sob um véu
ressurgem exorcizadas
e lambuzadas de mel
então as viro do avesso
para jogá-las ao léu
processo que me diverte.
Se há até quem interprete
das nuvens o ir e vir sob o céu
por que não (se) poderia
transgredir todo bom senso
subverter o consenso
adentrar o surreal
loucuras compartilhar
é o que penso e repenso
porém, no momento mesmo
de compartir a louquice
fico pasma e enrubesço
passo a rodar a esmo
não ousando publicar
permaneço na mesmice
mas um dia hei de voar
quiçá o baú reabra
e liberte toda a carga.
Deixo aos amigos por hora
essa questão que me intriga
vale a pena versejar
andando sempre na linha
ou é melhor liberar
minha Caixa de Pandora
mesmo tendo que pagar
alto preço vida a fora?
por vezes enlouqueço
a versejar do fim
para o começo
letras e tretas
vãs ou endiabradas
ocultas sob um véu
ressurgem exorcizadas
e lambuzadas de mel
então as viro do avesso
para jogá-las ao léu
processo que me diverte.
Se há até quem interprete
das nuvens o ir e vir sob o céu
por que não (se) poderia
transgredir todo bom senso
subverter o consenso
adentrar o surreal
loucuras compartilhar
é o que penso e repenso
porém, no momento mesmo
de compartir a louquice
fico pasma e enrubesço
passo a rodar a esmo
não ousando publicar
permaneço na mesmice
mas um dia hei de voar
quiçá o baú reabra
e liberte toda a carga.
Deixo aos amigos por hora
essa questão que me intriga
vale a pena versejar
andando sempre na linha
ou é melhor liberar
minha Caixa de Pandora
mesmo tendo que pagar
alto preço vida a fora?
segunda-feira, 6 de outubro de 2014
Tênue tecido vital
Tênue tecido vital
“Passo a
passo prosseguia
sem dar atenção ao
invasor a
esgarçar-lhe
a área patelar
até
transformar
seus
garbosos passos
em trôpego
andar.
Apegando-se
tão só
ao tempo presente
caçador que
era
de prazeres sensórios
acreditava-se
imune
às garras do
futuro.
De súbito a
doença
insidiosa
prostrou-o
e a vida virada
do
avesso esgarçou
o tênue
tecido mental
que revestia
seu
viver ilusório.
Em
decúbito
dorsal puseram-no
dependente a aguardar
que o tempo
esgarçasse
de vez
sua textura vital.”
sc/06/10/94 –
16h35 : A poesia foi escrita há algum tempo...
Há poucos minutos, ele encontrou, enfim, a Paz!!!
sexta-feira, 22 de agosto de 2014
Sugestão
“Não sei se por pudor
ante tanto terror
me ocorreu sugerir
plantar uma semente
reencantar a vida sofrida
falar de amor
somente.”
Sc/21/08/2014
segunda-feira, 4 de agosto de 2014
De onde vem?
De onde vem?
“De onde vem
essa ânsia
incontida
de tentar entender
o paradoxo da vida
de transcender
saber ler
além da matéria
da miséria
de um mundo
complexo
às vezes bom
outras perverso?
De onde vem
esse som
esse tom
de compaixão
esse dó
re mi fa
sol la si
qual música
das esferas
a me rondar
sem se fazer ouvir?
De onde vem
essa Luz
que me cega
esse calor
abrasador
que enregela
o coração?
Que paixão é essa
que não tem fundo
meus cabelos eriça
me atravessa
a alma e a razão
e me obriga
a escrutar
cada estrela
cada teia
cada sonho
cada grão
de areia
em busca da unidade
do multiverso?
Faz sentido
tentar harmonizar
o anverso
e o reverso
ou é tudo é em vão
e sou um caso perdido?”
sc/04/08/2014
segunda-feira, 28 de julho de 2014
Normais?
NORMAIS?
“As pessoas
mais
normais
são tão
paradoxais
umas
menos
outras
mais
sem que
haja
exceção
são
sadias
são doentes
maldosas
benevolentes
pretensiosas
carentes
falíveis
onipotentes
são
leais
são
traidoras
inaptas
competentes
submissas
prepotentes
invejosas
altruístas
pacientes
irascíveis
diferentes
tão
iguais
as
pessoas
são
incríveis.”
sc/DEZ/2012
terça-feira, 22 de julho de 2014
Maria Alice
Maria Alice
“Grande amiga, quase irmã
gostava de codinomes
chamava-me Suzi Bel
tratava-a por Mary Mel
loucura pouca é bobagem
dizia com muito charme
mas um dia extrapolou
e lançou um desafio
pra testar minha coragem
propôs um pacto à antiga
só se não for de sangue
manguei com a minha amiga
me encarou falando a sério
quem de nós morrer primeiro
dá um jeito de voltar
e contar todo mistério
ponto a ponto por inteiro
dessa passagem secreta
e qual será nosso código
perguntei de brincadeira
prontamente respondeu
proponho um puxão na perna
ou uma boa gargalhada.
Como sói acontecer
o tempo se encarregou
de afastar nossos caminhos
mas um dia a encontrei
e perguntei se lembrava
do nosso trato maluco
Alia jacta est
não tem como sair
dessa
foi o que me respondeu
o pacto está selado
pra confirmar brindaremos
com um gole deste suco
de uva a lembrar o sangue
rimos e nos abraçamos
novo encontro combinamos
mas por obra do destino
mão mais nos reencontramos.
Eis, porém, que certo dia
não muito tempo depois
o telefone tocou...
tive um doloroso impacto
um mal súbito a levara
alguém me comunicou
sequer me lembrei do pacto
e o tempo foi passando
a vida continuando
a memória se esgarçando
até que ontem, do nada
me bateu uma saudade...
e eis senão que de repente
um arrepio me percorreu
tive a nítida
impressão
de ouvir sua risada
debochada, escancarada.
Seria imaginação?
Na dúvida, fico alerta
de alma e de mente aberta
a qualquer revelação
e aqui me comprometo
a transmitir aos
leitores
toda e qualquer descoberta.
Pacta sunt servanda!”
sc/22/07/2014
quarta-feira, 16 de julho de 2014
Relação Ambivalente
Relação
Ambivalente
“Travo com as
palavras
relação de
intimidade
ambivalente
quase...pecaminosa
eu as provoco
elas me
desafiam
sirvo-as em
bandeja de prata
me expõem em
praça pública
fustigo-as
durante o dia
atormentam-me à
noite
inverto-as e
subverto-as
mas se
recompõem
à minha
revelia
e quando creio
estar no
comando
percebo-me à
sua mercê.
Brincalhonas
diria mesmo
abusadas
escondem-se
quando
mais delas
necessito
e reaparecem
debochadas
em horas
inoportunas
pretendem-se poderosas
porque as
realço
em toda a
força
de seus
significados
pretendem-me
frágil
porque se
acreditam
a ultima ratio
de minha existência.
Nada obstante
eu as venero
descendentes
que são
do próprio
Verbo Divino.
Sc/16/07/2014.
Adaptação poética de reflexão postada
aqui, em data de 28/10/09, sob o Marcador Reflexões
segunda-feira, 2 de junho de 2014
A CARTA
A C A R T A
Por que partiste
Amada minha?
Uma a uma
As lembranças manuseio
Quais cartas que, relendo,
Saboreio apalpo aspiro
Tão somente com receio
De lavá-las com meu pranto,
Saudosa de teu olhar
De gata mansa...
Onde quer que estejas
Mãezinha querida
Recebe esta cartinha
Mas não te preocupes
Com as agruras
Desta breve vida minha
Nem te deixes levar,
Como eu, pela saudade
Apenas repousa
Pois cedo ou tarde
Bem o sabemos
Nos reencontraremos
Enquanto aguardas
Minha gatinha
Desfruta da paz
Que tanto almejaste.
Descansa...
Sc/Publicada na Colectânea “Cartas”, lançada sábado
(31/05/2014) pela Lua de Marfim Editora, em Lisboa Portugal.
sábado, 1 de fevereiro de 2014
"O Mundo da Lua"
O Mundo da Lua
Há exatos
trinta anos
você
atravessou meu caminho
sequer um
carinho trocamos
a não ser
aquele beijinho
que
minh’alma perfurou
minha lucidez
sombreou.
Ah, o
dourado perfeito
daquele tufo
em seu peito
o verde-mar
tão profundo
daquele
olhar vagabundo
que por
pouco, muito pouco
não
transforma o meu caminho
mas balançou
o meu mundo.
Chorei rios
mares oceanos
de uma
paixão desmedida
plena de
atos insanos
de dia até
disfarçava
à noite
soltava o pranto
e os alvos
lençóis molhava.
Penélope
revivida
confeccionei
muitos mantos
mas você,
Odisseu, não voltou
sequer
notícias mandou
e eu
prossegui na vida
a tecer o
cotidiano
do
sofrimento esquecida.
Há exatos
trinta anos
você não
chegou a ser meu
eu não
cheguei a ser sua
mas por baixos
e altiplanos
por dias
meses e anos
andei no
Mundo da Lua.
Você não
chegou a ser meu
Eu não
cheguei a ser sua
Mas por dias
meses anos
Andei no
‘mundo da lua’.
Publ. na
Antologia “O Mundo da Lua” que está sendo lançada hoje (01/02/2014) em Lisboa, Portugal, pela Lua de Marfim
Editora, em grande festa comemorativa de seu aniversário. Ainda não tive acesso aos nºs das páginas
respectivas.
domingo, 24 de novembro de 2013
Reciclagem
R e c i c l a g e m
“Manhã cinzenta e preguiçosa
águas poluídas da lembrança
se aproveitam e tentam
inundar-me a mente
reajo instantaneamente:
Vade retro, Satanaz,
abordagem desastrosa,
da reciclagem sou az!
Preparo um tiro certeiro
me atiro de corpo inteiro
a competente chuveiro
e sob a água corrente
lanço-me à aventura
brincadeira que me apraz
de empreender releitura
dessa malfadada história:
transformo em literatura
a lembrança impertinente
que agora, sob o ralo, jaz.”
sc/24/11/2013.
E cheia de esperança
domingo, 17 de novembro de 2013
T é d i o
T é d i o
“Entediada
na ausência
de inspiração
pela janela
espio e sorrio
ante a visão
engraçada
de uma cadela
apressada
e uma dona
que inocente
tenta segurar
a corrente
toda crente
de que é ela
quem a leva
a passear.”
sc/ 17/11/2013.
segunda-feira, 21 de outubro de 2013
Inverno
I n v e r n o
Minha vida já se faz inverno
Em que pesem os tons primaveris
E os resquícios de verões acalorados
Em que dancei labaredas no inferno
Mas também flanei em céus iluminados
Por entre estrelas e arcanjos bem sutis
Que tantas lutas gentilmente (de)cantaram
Desta longa e tortuosa caminhada
E foram tantos, oh quantos!
Tantos foram meus perfis
Que os ventos outonais
arrebataram...
Quiçá não veja a próxima florada.
sc/21/10/2013.
domingo, 18 de agosto de 2013
VIDA
BURLESCA
“Escrevo
de corpo e alma
tanto em
prosa quanto em verso
não sei
se é minha a alma
ou se é
do Universo
escrevo
no dia a dia
e também
na noite adentro
em busca
do epicentro
que
deflagra a inspiração
mas por
vezes confusão
perco a
calma a alma a palma
afundo
em melancolia
elucubro
e tergiverso
busco
nova melodia
mudo o
tom e desconverso
finjo
estar em euforia
novos
rumos nova vida
em altos
brados proclamo
tentando
me convencer
de que
há como escapar
das
tramas que as moiras tecem
embora
no fundo eu saiba
que não
passa de utopia.
Resultado
adverso
por fim
me dou por vencida
faço a
volta e recomeço
sigo em
frente
enfrento
a mente
e torno
ao que mais eu amo
plantando
nova semente
escrevendo
dia a dia
escrevendo
noite a dentro
mente,
alma e corpo acalmo
linha a
linha palmo a palmo
linhas
retas linhas tortas
nas
ondas do meu viver
pois são
muitas as questões
que
espero resolver
são
dores e são mazelas
tristezas
e esparrelas
são
dúvidas e ideais
caminhos
a percorrer.
Será que
fazem sentido
tantas
considerações
poético-filosóficas
ou
simplesmente serão
palavras
desavisadas
e
meramente utópicas
embora
as tenha vivido
na alma
e no coração
ah! quem
sabe busco em vão
entender qual a razão
de
estarmos a girar
nessa
nave gigantesca
no
Cosmos a penetrar
tendo
uma visão dantesca
do
espaço sideral
sem
sequer poder saber
quem
somos pra onde vamos...
ah! a
condição humana
sempre
paradoxal
por
vezes angelical
por
vezes animalesca...
que
situação burlesca!”
sc/ 2013
Publ. in “Palavras Desavisadas de Tudo –
Antologia Scortecci de Poesias, Contos e Crônicas 2013” vol.I, 1.ed.,
SP:Scortecci, 2013, pág.232/233.
quarta-feira, 3 de julho de 2013
A vida num sonho
A
VIDA NUM SONHO
“Embora o prazo de validade já
se aproxime de seu termo
e as páginas amarelecidas
mal suportem novos carimbos
tento honrar o
passaporte
que me foi concedido
para atravessar
a dimensão
do tempo mera
passagem
de formas a
projetar
incompletudes entre si.
Foto já um tanto obscurecida
minhas vistas obnubiladas
não mais a reconhecem
pouco importa porquanto
sei que restam
apenas
poucas fronteiras
a cruzar
muitas doações entretanto
ainda serão necessárias
até que eu consiga
me desfazer das
tantas
quinquilharias
acumuladas
lembranças arraigadas
na volúpia do apego
dolorosas penas.
Firmei propósito no entanto
de atravessar
com leveza
e humildade a última aduana
que me levará
de volta ao lar
qual filha pródiga carregarei
tão somente as peças necessárias
ao último lance
do jogo
de uma vida atrevida
que se acreditou bem vivida
realizada e soberana
mas que na verdade
transcorreu insana
sofrida e manipulada.
Acordo sobressaltada
teria eu
viajado
ou meramente sonhado?”
sc/janeiro/2013
*Publ. na
Antologia “A Vida num Sonho”, Lisboa, Portugal:Lua de Marfim Editora, 2013,
p.88/80.
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