sábado, 3 de abril de 2010

Feliz Páscoa

Por uma dessas “coincidências significativas” a que estamos todos sujeitos, embora nem sempre a percebamos como tal, ontem ouvi uma conversa entre um jovem casal sobrecarregado com várias sacolas que deixavam entrever seu principal conteúdo: ovos de chocolate. O diálogo se deu mais ou menos como segue.

- “Só faço isso por eles”, disse a mulher, com certeza referindo-se às crianças que corriam logo à frente. “Na outra semana já é Dia das Mães e começa tudo de novo. Não vejo sentido nessas festas desgastantes, que dão tanto trabalho e acabam sempre em confusão”. – “Sem contar os gastos”, obtemperou seu parceiro em má hora, já que a jovem retrucou de imediato: -“A propósito, seu irmão é um pouco econômico demais para o meu gosto”.

O fato incontestável é que o Poder Econômico se assenhoreou das efemérides, de caráter leigo ou religioso, subvertendo significados e valores e redirecionando comemorações no sentido de seus próprios interesses, vale dizer, no incentivo de um consumismo desenfreado e vazio de sentido, induzindo a (des)encontros.

Com seu profundo significado de passagem, renovação, iniciação para um novo tempo, a Páscoa é (ou deveria ser) a celebração maior da cristandade, já que nos oferece a oportunidade de repensar e refazer comportamentos. Infelizmente, porém, as crianças – e, por que não dizer, os adultos - passam ao largo desse importante e ancestral simbolismo, “consumindo-se no consumir”, tão-só.

Nessa altura de minhas divagações, para não fugir à regra, minha conselheira Dª Nena oferece sua “sabedoria prática”, de forma um tanto contundente: - “O título não condiz com o conteúdo da crônica. É propaganda enganosa”. Pasma com a invasão terminológica na minha seara, retruco: -“Agora eu te peguei. Tem tudo a ver, sim, pois meus votos são de que @s leitor@s possam, nesta Páscoa, concretizar o verdadeiro simbolismo da passagem, dando início a um tempo de renovação, paz e amor”.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Princesa da Orla III

Minha/nossa linda Guarujá, aqui estou eu a seus pés uma vez mais e, como sempre, sua beleza me inspira, mesmo nos momentos em que, como agora, o sol está a brincar de esconde-esconde, por entre nuvens carrancudas. Nesse re-encanto inspirador da brincadeira cósmica, postei, já em 05/09/2009, o poema “Marcas Fugazes”, que, embora não o tenha revelado no tempo devido (mea culpa), foi escrito em tua homenagem.

O fato é que, nos últimos, digamos...55 anos(!) me permito voltar a brincar de poetiza de tempos em tempos e, agora, tenho a feliz oportunidade de participar do projeto “Duplo Olhar – Micropoemas em Macrofotografias”, em parceria com a fotógrafa e artista plástica Cristina Domingos, munícipe de Santos, cujo site pode ser acessado (como informei na postagem anterior) em link deste blog.

Alguns dos micropoemas foram criados especialmente para a Mostra que faremos em junho; outros foram extraídos de m/escritos poéticos ou em prosa, antigos ou mais recentes, como o poema acima citado, concebido em um passeio pelo calçadão de Pitangueiras numa tarde carregada de nuvens e nostalgia. As marcas fugazes deixadas na areia, à mercê do “des-com-passo” das ondas, entre outras tantas jóias metafóricas que a natureza nos oferece, são instrumentos sincronísticos que se oferecem para transporte da alma a paragens transcendentais.

Paragens habitadas por musas e por moiras, a traçar destinos, encontros e desencontros nos quais a arte emerge como força mediadora... E lá ia eu mergulhando nos mares mitológicos, quando sou trazida à realidade por uma voz arquetípica: meu alter (ou super?) ego – Dª Nena, minha super-conselheira: - “Você começou com uma ode ao sol das três horas da tarde e vai encerrar sob a luz do luar da meia-noite. Isso é o que acontece com quem quer fazer tudo ao mesmo tempo”.

Tento brincar, já que o lúdico é o mote da postagem: - “É que eu sou polivalente”. – “Nem tanto, pois você veio ao Guarujá exatamente pra fugir do estresse. Porque não dá um tempo a si própria? Trate de ir dormir, pra amanhã cedo poder aproveitar a beleza da praia, pés na areia e...” – “Era exatamente sobre isso que eu estava escrevendo. Imagine que...” – “É isso, seu problema é excesso de imaginação. Boa noite”.

Boa noite, Dª Nena; boa noite minha/nossa linda Guarujá, que agora vou me entregar aos braços de Morfeu, o deus m i t o l ó g i c o do............zzzzzzzzzzzzzzzzzzzz.

terça-feira, 16 de março de 2010

Cromoterapia I*

Flora natural

A colorir e curar

As chagas do mundo.

Cromoterapia divina.

* Micropoema que comporá uma das telas do trabalho que a artista plástica Cristina Domingos está preparando para nossa Exposição DUPLO OLHAR - MICROPOEMAS EM MACROFOTOGRAFIAS.

Os poemas que compus para essa série estão sendo inseridos artisticamente em macrofotografias selecionadas para a Mostra.

O site de Cristina Domingos está linkado no blog.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Dia da Mulher

Ano passado, nesta data, postei uma mensagem intitulada “Dia Internacional de Quem?. Hoje, tendo acabado de entregar o ensaio “Consumismo – Uma questão de Poder” às organizadoras da Coletânea sobre os “20 anos do Código do Consumidor”, a ser lançada em junho, me ocorre perguntar: A quem aproveitam comemorações como o Dia da Mulher, do Idoso, da Criança, etc.?

Antes de mais nada, por questão de justiça, amor e amizade, devo declarar que nos últimos meses tive a honra e o prazer de escrever esse e outros dois trabalhos (“O trabalho Juvenil como panacéia – Uma desconstrução” e “Segregação Ocupacional da Mulher”) em co-participação com a jurista Patrícia Tuma M. Bertolin, a quem já tive oportunidade de citar no blog
[1] .

Faço o registro como uma homenagem a todas as mulheres, esposas/mães profissionais ou “meras” donas de casa (quando as possuem), que se desdobram em todos os quadrantes da Terra para atender aos homens, a quem nunca foi dedicado um “Dia”, quiçá porque todos os dias/minutos/horas ainda, de certa forma, lhes pertençam.

Mas, honra seja feita também aos homens cuja supremacia tem sido posta à prova nestes novos tempos em que a mulher foi à luta para (re)conquistar o lugar do qual foi desalojada desde os tempos da Deusa-Mãe, com o (des)assentamento androcrático; aos homens de boa vontade que, superando seus próprios preconceitos, se fazem parceiros de todas as horas – não apenas na alegria e na dor – mas, principalmente no trabalho cotidiano do lar, antes reduto (e ônus) exclusivo das mulheres.

Possamos nós, heróis e heroínas anônim@s de todas as idades, raças e credos, encontrar um caminho de equilíbrio de nossas potencialidades para que todos os dias sejam dignos do ser humano, sem que nos precisemos dobrar a injunções dos que se acreditam donos do poder, seja econômico, androcrático ou divino.



[1] Vide “De Rios e agradecimentos”, postado em 13/09/2009

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Harmonia

O ribeirão, num crescendo,

chega ao mar,

se arremessa em choque, e...

Ironia!

O turbilhão anuncia e

faz gerar

a harmonia.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Ainda às voltas com o Tempo

Ainda às voltas com a questão do tempo, deparo com os instigantes comentários de três mulheres especiais: Camila, Eugênia e Maristela, postados na matéria escrita no último dia 8, que intitulei Tempo de Kairós.

Camila, que infelizmente não tenho o prazer de conhecer pessoalmente, mas por quem já nutro admiração, me alerta sobre as “cobranças por toda parte” que inadvertidamente revelo ao me desculpar por não poder imprimir ao blog a dinâmica que lhe é (ou deveria ser) própria. Em poucas palavras, faz uma análise muito apropriada de meu post – apesar de, humildemente, declarar que espera conseguir “interpretar de forma correta”. De fato, a nova, que já se faz querida, leitora, detecta um paradoxo essencial: se, por um lado, há “vontade de fazer tudo”, por outro, há o reconhecimento de que “tudo tem seu tempo”. Encontrar esse equilíbrio é exatamente a proposta.

Eugênia, cujas observações sempre acrescentam sabedoria ao que escrevo, fala em esperança num “tempo que se faz redondo” e, em sua generosidade nata, me incentiva sempre a continuar. Com a competência despretensiosa que caracteriza seus escritos - blogueira, advogada e palestrante que é -, toca numa questão transcendental: o tempo, que acreditamos sequencial, visto como um círculo a fechar-se em si mesmo. Espiritualizada, entrevê Orobolos, a “cobra que se devora a si mesma” e, com simplicidade, nos remete aos mais profundos ensinamentos esotéricos. Alquimia Pura.

Maristela, que carinhosamente apelidei de “jornalista milagreira”, acrescenta importante reflexão: a de que nossos escritos possam existir num outro plano e, portanto, “vencem o tempo” que, aliàs, de acordo grandes estudiosos da Física e da Química – ela cita o prêmio Nobel Ilia Pregogine -, talvez sequer exista. Enfim, seja apenas uma convenção imaginada pelos seres humanos para agregar sentido às suas concepções de vida ou mera dimensão que ora atravessamos, seja um deus ou um demônio, seja eterno, passageiro ou infinito, o fato é que não podemos permitir que o Tempo nos devore (como Chronos).

Neste exato momento (do tempo?) em que minha imaginação está prestes a viajar nas asas de Kairós, minha sábia conselheira Dona Nena intervém: “Filha, já ‘viajou' o suficiente por hoje. Agora ponha os pés na Terra e dê um tempo ao tempo e a seus(as) leitor@s, antes que lhes esgote o tempo e a paciência”. Obedeço.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

2010 - Tempo de Kairós

Hoje, sou alertada por minha conselheira Dª Nena, logo ao acordar: - “Vamos nos organizar? Acho que está havendo um ruído de comunicação. Não somos eu e o blog a precisar de férias, é você. Como incentivar o diálogo, mola mestra d@s blogueir@s, se não consegue fazer a sua parte? E digo mais, não se assoberbe, para que não se “abafe” a inspiração. Delegue funções, divida preocupações. Aprenda a dizer não, inclusive a você mesma”.

Envergonhada, percebo que estou entrando no “jogo do tempo” e, como sempre fazemos quando apanhad@s em flagrante, tento me defender: - “É o tempo que está acelerado e eu tenho que correr atrás, para dar conta do recado.” - “Você se esquece”, responde calmamente a sábia senhora, “que o tempo é apenas uma dimensão pela qual estamos passando? De que adianta correr atrás de algo que se desfaz em si mesmo?”.

Tento desarquivar da memória ensinamentos ancestrais. Não é a Cronos (o tempo sequencial, “tempo dos homens”) que devemos reverência, mas a Kairós, (o tempo qualitativo, “tempo divino”) aquele que tem asas nos pés e nos permite “saltar” sem atropelos por entre as vicissitudes e alegrias do cotidiano. Oh, Mitologia abençoada, porque te subestimamos?

Celebrações, tempestades, apagões, viroses, projetos a implantar, matérias a editorar, prazos de compromissos pré-assumidos a se esgotar (e a nos esgotar) levaram-me a impôr ao blog, um silêncio forçado nas últimas semanas. A mente, dispersa entre tantos clamores, não permite que a inspiração se manifeste com plenitude e esta, asas cortadas, somente se detém nas circunstâncias ou se recolhe, a aguardar oportunidade de expressão.

Entregar-se inteiramente a cada trabalho, a cada pessoa, a cada momento, é uma arte a ser exercitada na busca da excelência. E embora haja uma conecção entre tod@s, cada um(a) deve ser cuidad@ de per si, como se únic@ fôra. Somente assim a memória, a observação, a experiência e a inspiração se aliam e se alinham para que cada assunto, cada compromisso, permeado pelo Amor, flua a seu tempo, o tempo de Kairós.