quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Animais

Animais sencientes
ditos irracionais
a sofrer nas mãos
de irmãos
imorais
predadores cruéis
ditos racionais
tão conscientes
de seus plantéis.

Publ.em m/facebook.

Corrida

Ladeiras íngremes
descidas vertiginosas
sol a pino
na corrida escabrosa
os olhos turva
pedras no caminho
causam tanto mal
quiçá, na próxima curva
a reta final...
o pódio, ah o pódio
reserva-se a quem
não diminui a marcha
atraído por uma mão
estendida, por uma
criança perdida
pelo aroma de uma flor
por promessas de amor

Escrito e publ. hoje no Mural de m/facebook

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Eu tive um sonho

Talvez pelo fato de haver terminado de escrever a crônica “Carnaval 2010”, a ser publicada na próxima sexta-feira em um Jornal da região, o mote (Carnaval) se aninhou em meu subconsciente como instrumento (ou passaporte) para a compreensão de uma situação que provavelmente eu não estava querendo ver.
Me explico: Sonho muito (dormindo ou acordada) e, por paradoxal que parecer possa, são essas “viagens oníricas” que me permitem colocar os pés no chão e repensar a vida, vale dizer, re-interpretar situações/comportamentos/relações com quem quer que seja (coisas/pessoas/conhecimentos), pois, a meu ver, tudo fala do mesmo.
Por isso, anoto rapidamente ao menos os detalhes que me parecem mais importantes desses “sonhos sonhados”, para posteriormente utilizá-los, seja em prosa ou verso, em meus escritos, o que me leva a novas interpretações.
Mas vamos à motivação desse intróito:
Hoje pela manhã acordei com a vívida lembrança de um sonho que me pareceu, à primeira vista, auto-explicável. Estava eu, meio deslumbrada, numa espécie de camarote protegido por um vidro, assistindo ao desfile de Carnaval de alguma Escola de Samba que se me afigurava muito importante.
Entre as alas, uma personagem vestida com simplicidade (sem máscara, nem fantasia), que identifiquei como a autora do samba-enredo e uma das diretoras da Escola, fazia reverências a algumas pessoas sentadas próximo à pista, proclamando sua admiração e gratidão a elas.
Como eu havia participado de seu trabalho, fornecendo dados técnicos e dando aporte cultural e econômico à Escola, fiquei esperando que ela vislumbrasse meus acenos por trás do vidro, mas Rita (era esse o nome dela), não se dignava olhar em minha direção.
Quando se aproximava a última ala, Rita pareceu me ver, mas em seguida desviou o olhar, dirigindo-se com um “Obrigada, tia Neusa” a uma senhora que se postou à sua frente.
No próprio sonho eu as identifiquei:
Rita, uma mulher/professora especial, a quem tive oportunidade de encontrar várias vezes em uma Ong à qual ambas doávamos voluntariamente nosso trabalho e que, ontem, “casualmente”, (re)encontrei em um comentário ao facebook de um amigo comum.
Neusa, uma senhora a quem conheci em uma palestra/oficina na Casa das Rosas e que, há alguns anos, fez um súbito sucesso com seu blog cultural, após ser entrevistada por Ana Maria Braga.
Enfim, não vou contar minha interpretação do sonho, mas devo confessar que, ao menos num primeiro “olhar” ela não me foi lá muito favorável. Após o café da manhã, meu desânimo aumentou, por motivos que não vêm ao caso.
Pronta a mudar de rumo, inclusive desativando o facebook, me deparo com um comentário a uma postagem feita ontem que, por si só, me reencaminha: Alex, um jovem e generoso amigo virtual, quer saber mais a respeito das filosofias da Índia, tema que me fascina e a cujas pesquisas (inclusive “in locu”) tenho dedicado boa parte de meu tempo e atenção.
Entendendo o fato como uma sincronicidade, volto a repensar criteriosamente meus próximos passos, pois a estrada que vislumbro já não se alonga tanto (ainda que se alargue) e há muito ainda a oferecer como gratidão ao que me foi dado experienciar nesta inefável passagem pela dimensão do tempo...
Ou terá sido a vida tão somente (mais) um sonho?
Namastê.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Sonambulismo

Acordo com a sensação
de haver sonambulado
um papel sobre o teclado
parece um recado
garatujado
eu havia escrevinhado
um haicai estruturado
a ser lançado
na próxima edição.

Escrito e publ. sábado (04/02/2012) em m/facebook.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

EU DIGO NÃO AO NO

EU DIGO NÃO AO NÃO

Nasci vivi e cresci
sob o signo do não
dura palavra de ordem
dos adultos de então
hoje semeio desordem
nas asas de um outro não
pois muito muito sofri
com a discriminação
e pois digo não ao não
não e não porquê não
não ninguém pode dizer
que o não da mulher
é sim bem assim
tal qual pretendem
patriarcas de plantão
não podem não
pois lá no fundo eles sabem
que um não será sempre não
por princípio e vocação
e que um bem dito não
não requer explicação
se é que me entendem
os que vivem na ilusão
dos tempos que lá se vão
quando o povo era refém
da pouca legislação
que dava ensejo também
à angústia da exclusão
aos guetos eu digo não
pois não aceito esse não.


Publ. in Antologia “Eu digo não ao não”, Lisboa:Lua de Marfim Editora, 2012.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Publicação Internacional



Será hoje, em Lisboa, o lançamento dessa interessante Antologia da Lua de Marfim Editora, na qual trinta e nove escritores expõem em prosa ou verso, suas visões sobre o intrigante tema "Eu digo não ao não". Tenho o prazer de participar com um trabalho poético.























quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Nove haicais

Nove haicais

A rede segura
requer linha forte
não linha dura.

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Às vezes somos
outras não somos
loucura em assomos.

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Ação na inação
quintessência do
agir consciente.

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Eu e você formamos
nós às vezes cegos
ou górdios.

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Idólatras do Bezerro
luta ferrenha
por medalhas.

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Lua Terra Astros
a girar loucamente
no espaço.

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Mantras
personificados a se
repetir “ad eternum”.

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Toda amizade pede
reciprocidade
no trato.

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Verso sobre o
Uno aqui e agora
Universo.

Publ. também em m/facebook.