quinta-feira, 12 de abril de 2012

Medo primordial

“Uivos doloridos
de um cão ferido
evocam sensações
arquetípicas do
medo primordial
ecoando na noite
da alma.”

Publ. hoje em m/facebook.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Doze haicais

1)
“Raios de luz
entre sombras seccionam
a escuridão”

2)
“Passos no tempo
passado e presente
ser no futuro”

3)
“O caminho é
único mas as trilhas
são inúmeras”

4)
“Os detalhes são
sincronicidades do
cotidiano”
5)
“Repensar cada
pensamento até que
a luz se faça”

6)
“Preconceitos são
metástases no corpo
da sociedade”

7)
“Ah esse Ego
que não nos permite ver
nosso entorno”


8)
“Nunca discuta
com leigos seja qual for
sua profissão”

9)
“Louco azáfama
na ânsia de chegar
a lugar nenhum”

10)
“Formas nada mais
são do que ilusão dos
nossos sentidos”


11)
“Passo a passo
recompomos da vida
os descompassos”

12)
“Uma página
em branco é apenas
página morta”

Publicados também, em diferentes datas, em m/Facebook.

sábado, 7 de abril de 2012

Agora

Dia após dia
Hora após hora
Caminhei
Mundo a fora
Para enfim
Descobrir
Que o lugar
É aqui
E o momento
É agora.

Publ. hoje em m/facebook.

Para PESSOA

Perdi-me
De mim mesma
E o navegar
Se me tornou
Impreciso.

Postado hoje em meu Facebook.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Impróprio

Talvez
ela jamais
venha a ter
uma opinião
própria
ensinaram-lhe
que não é
próprio.

sexta-feira, 16 de março de 2012

E lá vamos nós, uma vez mais, a meio caminho entre o carnaval e a Páscoa. Águas de março a fechar um verão escaldante, porém, atípico, a brincar de esconde-esconde com a brisa do outono. Formas poéticas de falar das linhas cinzentas que entremeiam os ciclos da vida.
De uma vida paradoxal, que nos leva da alienada euforia a uma reflexão que tem como ápice o renascimento do divino em nós, simbolismo da Páscoa. Comemorar é (ou deveria ser) “lembrar com” as outras pessoas, um agir adequado à significação daquilo que se está celebrando, melhor dizendo, agir (também) com o coração.
O fato é que, da serpentina ao ovo de chocolate, nossas emoções são sobrepostas pelos interesses de Mercado, pelas imposições da Mídia e pelo nosso ego, instância relacional que não consegue equacionar sequer as questões do cotidiano.
Assim, acabamos por banalizar os sérios problemas que se fazem sentir sob a forma de preconceito e violência, especialmente a domiciliar, ou seja, “no meio do caminho tinha uma pedra”, mas não nos permitimos tirar nossas máscaras para que possamos vê-la e apreendê-la em seu verdadeiro significado.
Enquanto divago por essas questões, minha conselheira Dª Nena é mais objetiva: - “Você está querendo falar das comemorações do “Dia Internacional da Mulher”, não é?”. – “Não exatamente, minha cara. Estou é tentando dizer que essas datas comemorativas não farão sentido se não estivermos atentos ao que se passa em nosso entorno, seja nas celebrações de alegria, seja naquelas que visam a ressacralização da vida.

*Publ. no Jornal Gazeta do Ipiranga (Coluna da Suzete), em 09/03/2012, Caderno D, pág. 6.

sábado, 10 de março de 2012

Caminito

Para minha mãe, falecida ontem


“Na tampa
a pomba
da paz
simbolizava
a libertação
das carências
e medos que
a orfandade
precoce
legara àqueles
olhos de gata
assustada
a despertar
sentimentos
ambivalentes
agora cerrados
para sempre.

Aberto o ataúde
a transfiguração
sua última magia
arrancou
o pranto convulsivo
que eu não sabia
escondidinho
no âmago
de meu ser
ao som
de Caminito
ricamente
orquestrado
Shiva
a arrebatou
para o eterno
bailado
Cósmico...”

Sc/