sexta-feira, 8 de junho de 2012

Ipiranga via Bacabal e Rio de Janeiro




Instada pelas provocações de Sonique Mota, uma linda e culta bacabalense, resolvi escrever sobre dois assuntos que dizem muito aos ipiranguistas pelas excelentes opções que a região oferece: cultura e gastronomia. Antes de entrar no tema propriamente dito, é preciso dizer que Bacabal é uma bela cidade maranhense com pouco mais de cem mil habitantes e que descobri Monique por suas inteligentes postagens nas redes sociais.

Pois bem, vou tentar refazer o caminho que me levou a enveredar aqui por esse tema. Dia desses, ao publicar uma crônica em meu Mural no facebook, recebi a “visita” de Sonia Saliba, querida amiga e “Chef” do inefável “Seo Virgulino”, onde nos sentimos como se estivéssemos em nossa própria casa, tal a disponibilidade de Sonia. Aproveitei a oportunidade para homenageá-la, respondendo: “Este é o único prato que sei cozinhar. Quisera que fosse tão gostoso como os que você nos oferece”.

Assim é que, entre vários comentários “deliciosos” à minha crônica, o bato-papo acabou se transformando numa boa “festa gastronômica” onde as letras eram o prato principal, levando Heloísa Campos Freire, uma carioca que também tenho a felicidade de ter como amiga virtual, a lembrar do excelente filme norueguês “A festa de Babette”.

É assim que vejo nosso bairro, como uma grande festa, com suas memoráveis comemorações, seja nos Jardins do Parque da Independência, com destaque para as atividades lítero-musicais do Museu, seja em seus vários clubes e associações, com destaque para o centenário Vovô da Colina, do qual tive a honra de ser Diretora Cultural, ainda que por breve espaço de tempo.

Quanto à gastronomia, faço minhas as palavras da redação da Revista do Ypiranga, na edição de janeiro/fevereiro de 2011, para a qual, aliás, contribui com a crônica “Ora, minha Senhora”: “A variedade de estilos e serviços é enorme e há programas para todos os gostos: para quem gosta de sair em família, para quem prefere curtir o Happy Hour com a galera e também para os casais românticos”.



Pub. no Jornal Gazeta do Ipiranga, Coluna da Suzete, Cad. C-8, em 08/06/2012

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Pensar sobre as questões abrangentes da experiência humana tentando apreender o sentido da vida, se é que o há, tem sido a minha (pré)-ocupação principal desde sempre, mas, muito, muito especialmente nestes tempos em que “reciclar” é a palavra de ordem.


Reciclar arcaicos condicionamentos culturais, sempre prenhes de preconceitos – que entendo como projeção do medo de encarar o diferente em nós mesm@s -, reciclar as velhas formas de relacionamento com-o-outro-seja-quem-for, o que transcende o nosso entorno e inclusive o chamado “meio-ambiente”, para abarcar a própria consciência.

Pensar e escrevinhar a respeito, analisando vivências a respeito de temas eleitos dentre as leituras dos (nem sempre tão) clássicos e as observações de um cotidiano – ou uma sociedade, se preferirem – em acelerada mutação, isenta de pré-julgamentos, tem sido meu leitmotiv para encarar a septuagésima década nesta estrada sem retorno, ou seja, para (re)encarar a condição humana e, de conseguinte, a minha própria.

E eis senão quando, descubro que tantas e tantas vezes me perco de mim mesma ou daquilo a que me propus, permitindo que meu ego se rebele ao constatar que enfurnei escritos e escriturações, sejam meras anotações, sejam livros mais que “prontos e acabados”, deixando escapar a oportunidade de compartilhar pensamentos eventualmente inovadores, se é que os tenho, se é que algo se inova neste sempiterno caminhar.

Assim é que, dia desses, navegando pelas redes sociais, deparei com um link da poetisa pernambucana Lilly Falcão, que remetia a um texto da antenada escritora Martha Medeiros, cujo mote andava a me assediar há tempos, tendo até sido objeto de anotações que eu relegara, como em tantos outros casos, para futuras publicações.

A simples leitura do título - “Melhor coisa que nunca lhe aconteceu” – teve o condão de me fazer lembrar que havia anotado vários “não-acontecimentos felizes”, um dos quais, pelos importantes reflexos que teve em minha vida, me sinto instada a compartilhar.

Em síntese, já que me estendi muito nos preâmbulos, trata-se do seguinte. Quando minha filha nasceu, eu estava terminando de cursar a Faculdade de Direito, cujo diploma me daria acesso a uma função de relevância no Tribunal em que eu exercia, então, um cargo público. Por algum motivo insondável, a pessoa com quem eu contava para me ajudar a cuidar dela – e que morava conosco há muitos anos – (aqui, minha neta está sugerindo que eu escreva “se periquitou”, mas não o farei porque, como ela mesma concluiu: “Não ficaria bem, né, vó?”) – simplesmente se foi sem explicações ...

A questão, na verdade, é bem mais complexa do que estas vãs palavras podem demonstrar, mas uma coisa é certa: jamais me arrependi de não haver vestido a máscara de Executiva Pública que me era oferecida numa bandeja de prata. Abrir mão das pompas e reverências a um senso comum castrador de ideias teve o condão de me apresentar à liberdade de ser.

sábado, 2 de junho de 2012

Sinapses




Ouço as

ideias

sondando

e rondando

prontas a

magnetizar

as mentes

antenadas.

Captá-las

é questão

de frequência.







sexta-feira, 25 de maio de 2012

Movimentos


lentos

sincronizados

qual bailarino

tentava

subverter

o tempo

a fim de que

não revelasse

a proximidade

de seu próprio

fim.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Admiração?



Você afirma

que me admira

por meu saber

mágico

extraordinário

mas seu olhar

antropofágico

afirma o contrário.



sexta-feira, 11 de maio de 2012

MAIO

Mês do Trabalhador, das Mães, das Noivas, da Libertação da Escravatura, da Liberdade de Imprensa, e outras tantas efemérides mais, ou menos, importantes, maio tem até o Dia Nacional do Milho, cereal cujo nome significa “sustento da vida”, haja vista que foi o alimento básico de várias civilizações antigas importantes, como a dos Maias - aqueles mesmos cujo Calendário deu margem a interpretações fatalistas que dizem que o mundo terminará em 21/12/2012.
Reverenciado na arte e na religião por algumas das culturas pré-colombianas, como os incas e os maias, que já eram avançadas milênios antes da “descoberta” da América, esse cereal é atualmente o terceiro entre os mais cultivados no mundo, perdendo apenas para o arroz e o trigo, tendo sido elevado a patrono de efemérides, como o Jubileu de Milho recém celebrado pela Gazeta do Ipiranga e, coincidentemente, as Bodas de Milho que eu e meu companheiro João Baptista celebraremos no próximo dia vinte e nove.
Este é também o mês em que se comemora a “explosão” da Contracultura. Para quem não estiver lembrado, trata-se daquele Movimento deflagrado na França em MAIO de 1968, que, ganhando espaço nos meios de comunicação, foi seguido de outros movimentos como o de Woodstock (hippie), que influenciaram os jovens de todo o Ocidente com suas propostas de mudança na estrutura social.
No Brasil, então sob a égide da ditadura militar, “caminhávamos contra o vento” e essa influência se fez notar praticamente apenas na música de protesto de jovens compositores como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque e Geraldo Vandré, entre outros, bem como na forma de vestir e falar de nossa juventude. A sociedade mal acompanhava os acontecimentos e, a propósito, lembro de um fato um tanto cômico acontecido nessa época.
Certa vez, ao entrar em casa, deparei com minha tia aos prantos.  Perguntada sobre o que havia acontecido, ela respondeu entre soluços: - “O Joãozinho” (seu filho adolescente) “me chamou de bicho”.  – “Você deve ter entendido mal, tia.” – “Não entendi mal, coisa nenhuma. Eu disse a ele pra levar guarda-chuva porque ia chover e ele respondeu: “É isso aí, bicho”. Caí na risada e ela aumentou o choro dizendo que, pelo jeito, eu também a considerava um bicho.
O fato é que minha tia não ficou lá muito convencida com as explicações que lhe dei, até porque ela não tinha como acompanhar as manifestações de uma sociedade em mudança. Imagino que, se vivesse hoje, ela ficaria inconformada ao ouvir meu neto dizer: “E aí, véi?”, expressão que “está na boca” de todos os jovens, de ambos os sexos, que se tratam dessa forma inclusive entre eles. Pessoalmente, acho “da hora”...

Publ. em 11/05/12 na “Coluna da Suzete” do Jornal Gazeta do Ipiranga nº 2744, Caderno D-8.

domingo, 6 de maio de 2012

Passo a passo

“Passo a passo prosseguia
sem  dar atenção ao   
invasor a esgarçar-lhe 
a área  patelar
até transformar 
seus garbosos passos 
em trôpego andar.   
Apegando-se tão só 
ao  tempo presente
caçador que era
de  prazeres  sensórios 
acreditava-se imune 
às garras do futuro.     
De súbito a doença    
insidiosa prostrou-o 
e   a  vida virada 
do avesso  esgarçou
o tênue tecido mental 
que revestia seu  
viver ilusório.    
Em decúbito 
dorsal   puseram-no
 dependente a aguardar 
que o tempo
esgarçasse de vez 
sua  textura vital.”