sábado, 20 de outubro de 2012

Haicai de uma tarde outonal




“Danço qual folha

de outono ao sabor

da inspiração.”



sc/
Publ. hoje no Mural de m/facebook.

G R A T I D Ã O 


“Aos Céus


minha gratidão

pela Luz

pela vastidão

pelo azul

que se reflete

no mar

e nos olhos teus.”



sc/ out/2012.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Consolo




“Consola-me saber

que sempre há de haver

um novo amanhecer.



Consola-me lembrar

que li nos olhos teus

que sempre me hás de amar.



Consola-me pensar

que apesar do meu sofrer

tudo sempre há de passar.



Consola-me compreender

que saber lembrar pensar

são formas do meu sonhar.



Consola-me acreditar

que consigo versejar

meu sofrer pensar sonhar.”



sc/out/2012

Escrito em um momento de (des)consolo...







quinta-feira, 11 de outubro de 2012

COLUNA DA SUZETE




Um outubro (ainda mais) Rosa



A primavera, este ano, chegou um tanto indecisa, alternando “veranicos” e invernicos”, talvez a se solidarizar com nossas próprias indecisões e emoções abaladas pelas perdas e ganhos das últimas semanas ou – o que é mais lógico e provável –, talvez essa seja mais uma das formas de reação da Natureza ao descaso com que tem sido tratada desde sempre pelo ser humano.

Aliás, parece-me que a ideia aplica-se também às questões político-sociais, nas quais o interesse pessoal, infelizmente, tem sobrepujado o interesse coletivo, subvertendo um dos princípios fundamentais que deveriam nortear a vida em sociedade: o bem-comum, respeitadas as diferenças individuais.

Apesar desses pesares, nossa Região é privilegiada, pois basta um olhar ao entorno da Avenida Dom Pedro, rumo ao Parque da Independência – como, verdade seja dita, em outros tantos logradouros dessa Terra abençoada -, e nossas esperanças se renovam ante a festa colorida com que as flores dos ipês se oferecem ao olhar, sem preconceitos sequer contra a ausência de cidadania que ainda nos acomete.

Esse cenário deslumbrante com que a Primavera nos presenteia, aliado às tantas comemorações entre as quais destaco o aniversário do líder pacifista Mahatma Gandhi no dia dois, não por acaso celebrado como o Dia Internacional da Não-Violência e também dos Anjos da Guarda, o que nos leva às homenagens a personalidades santificadas, da lavra de Terezinha do Menino Jesus (dia primeiro) e de Francisco de Assis (dia quatro), são ícones do amor inconteste que só por si teriam, a meu ver, o condão de sacralizar o mês de Outubro.

Minha sugestão é, já que estamos exatamente no Dia da Criança e às vésperas do Dia dos Professores, que repensemos juntos nossos hábitos consumistas e seu impacto sobre o meio-ambiente, com vistas a outubros verdadeiramente primaveris e coloridos para todos. Esse é o primeiro passo, como lembra minha sábia conselheira Dª Nena, para irmos conscientizando as novas gerações sobre sua própria responsabilidade para a preservação da Natureza.

Enfim, já que vivemos num país de maioria católica, lembro ainda que hoje o dia é também consagrado à Padroeira do Brasil, mas o mais importante, quero crer, é que nos respeitemos mutuamente em todos os momentos, sejam quais forem nossas crenças, status e opções de qualquer espécie, pois, queiramos ou não, somos todos interdependentes e, se não nos conscientizarmos disso a tempo, só nos restará dizer “Nunca mais”, como “O Corvo” de Edgard Alan Poe.



Publ. hoje, 11/10/2012, em m/Coluna no Jornal Gazeta do Ipiranga, Cad.C-4.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Haicai do momento




“Viver é sonhar

sob a ilusão de um

manto corporal.”



sc/02-10-2012

sábado, 6 de outubro de 2012

Haicai da Véspera




“Daqui e dali

arte surrealista

votar por aqui.”



sc/06/10/94- Véspera de eleições municipais em todo o país...



terça-feira, 2 de outubro de 2012

Hoje, dia em que se comemora o centésimo quadragésimo primeiro aniversário do nascimento de Gandhi e que a ONU houve por bem declarar como o Dia Internacional da Não-Violência, acredito oportuno transcrever um trecho de m/Ensaio “Por que Gandhi Hoje?”






“Insistência, persistência, paciência e firmeza de propósitos consistiram nas grandes virtudes que fundamentaram o pragmatismo gandhiano, a embasar seus dois princípios máximos: ahimsa e sathyagraha (de sathya, verdade e agraha, firmeza). No ensinamento gandhiano o ahimsa não é um escudo para a covardia, mas uma arma para os bravos, muito mais poderosa que todas as armas já inventadas pelo engenho humano.

A sutileza desse princípio vai muito além de não matar, pois nele não cabe sequer alimentar maus pensamentos ou permitir que o sofrimento se propague, compactuando com a dominação ou vilania. Também não significa deixar de se proteger ou de cumprir o dever, nem renunciar aos direitos conquistados ou submeter-se à tirania. É, isto sim, uma práxis corajosa, que passa necessariamente pelo respeito às diferenças, necessidades e direitos do outro e de nós próprios, em suma, pela dignidade dos seres humanos.

É um exercício de perdão, visto como ação mais nobre do que a punição, até porque, no dizer de Gandhi, ninguém é suficientemente bom para julgar o outro. Sua sugestão é que procuremos ver nossos próprios erros com uma lente de aumento, como fazemos com os erros dos outros, para podermos chegar a uma avaliação mais equânime. Essa é uma prática de amor, solidariedade e compaixão (de pathos, paixão ou sofrimento, em grego), com o sentido de compreender e minimizar a dor do outro, seja ele quem for.”



Publ. in Thot nº 79, “Política e Poder: Gandhi Hoje”, SP:Palas Athena, out/2003, pág. 4/9.