quarta-feira, 25 de junho de 2014
segunda-feira, 2 de junho de 2014
A CARTA
A C A R T A
Por que partiste
Amada minha?
Uma a uma
As lembranças manuseio
Quais cartas que, relendo,
Saboreio apalpo aspiro
Tão somente com receio
De lavá-las com meu pranto,
Saudosa de teu olhar
De gata mansa...
Onde quer que estejas
Mãezinha querida
Recebe esta cartinha
Mas não te preocupes
Com as agruras
Desta breve vida minha
Nem te deixes levar,
Como eu, pela saudade
Apenas repousa
Pois cedo ou tarde
Bem o sabemos
Nos reencontraremos
Enquanto aguardas
Minha gatinha
Desfruta da paz
Que tanto almejaste.
Descansa...
Sc/Publicada na Colectânea “Cartas”, lançada sábado
(31/05/2014) pela Lua de Marfim Editora, em Lisboa Portugal.
segunda-feira, 26 de maio de 2014
2014 Promete...
C r ô n i c a escrita em
fevereiro 2014 e “Censurada” pelo Jornal com o qual colaborava há anos e que
foi “abduzido” por um Partido Político...
“2014
promete...”
Uma das fontes de inspiração de
quem se dedica a escrever crônicas, é ouvir conversas de pessoas desconhecidas,
em lugares públicos. Assim é que, há
dias, em uma lanchonete, ouvi a instigante frase de um dos jovens que ocupavam
uma mesa próxima: “Pois é, “véi”, 2014 promete!”. Uma voz feminina se fez
ouvir: “Verdade, mas...” e, infelizmente, o papo promissor se interrompeu, com
a chegada da garçonete: “Querem fazer o pedido agora?”. Para minha frustração, eles queriam, sim –
afinal é para isso que se vai a uma lanchonete, não?
Durante alguns minutos, apurei os
ouvidos na esperança de que a conversa retomasse seu rumo, mas qual(!), a turma
já “sacara” seus Iphones/Ipods/Smarths,
sei lá mais o quê e o diálogo(?) assumiu
uma linguagem um tanto codificada: - “Oh isso, mano!”. – “Demorô!”... e as frases
e risadas soltas, entremeadas por termos em inglês e “internautês” – só
inteligíveis aos iniciados – tiveram o condão de fazer com que eu me recolhesse
às minhas próprias reflexões, reprimindo a vontade de me aproximar e fazê-los
retomar o assunto.
“É nisso que dá ficar ouvindo a
conversa alheia”, brincou minha nobre conselheira Dª Nena. – “Você não percebe
que eles me inspiraram?” retruquei, indignada com sua risadinha de quem parece
estar pensando: “Ponha-se no seu lugar, mulher!”. O fato é que a simples
expressão “Verdade, mas...”, emitida
pela jovem, soou como música a meus ouvidos, pois estou certa de que ela, se
instada a falar - como, aliás, a maioria dos adolescentes, em que pese sua
linguagem cifrada – nos ajudaria a repensar alguns dos tantos temas candentes a
serem enfrentados pelos cidadãos e cidadãs brasileiras, neste Ano da Graça de
2014.
A grande questão é que 2014 é um
ano decisivo e promete, sim, mas promete o quê, exatamente? Acredito que a resposta
mais plausível a essa importante questão, proposta por jovens aparentemente
desconectados da realidade social, seria: “Depende de mim, de você que me lê,
de todos nós, brasileiros e brasileiras. Depende da nossa consciência e atitude”.
Aproveito para lembrar, já que estamos em “Ano de Copa”, que já é hora de
deixarmos de lado, por exemplo, o velho “complexo de vira-latas” (para usar a
expressão criada por Nelson Rodrigues, exatamente a respeito do futebol) atitude
que já começa a se tornar piada na imprensa estrangeira. Será que é isso que queremos?
Enfim, aproveito para lembrar que
é também “Ano de Eleições”, o que requer o exercício consciente de nossa
responsabilidade para o futuro do país e que já é hora de pensarmos por nós
mesmos, sem nos deixarmos levar pelos ‘maucaratistas’ de plantão (ou, se
preferirem, pelos ‘arautos do caos’), sempre prontos a denegrir iniciativas
sociais que vêm recebendo aplausos e sendo, literalmente, copiadas e
implantadas mundo a fora. É preciso que nos cuidemos, para não sermos inocentes
úteis, nas mãos daqueles que venderiam a própria mãe, a alma, o país, em sua
ânsia pelo Poder.
terça-feira, 22 de abril de 2014
sábado, 22 de março de 2014
Minha mãe dizia
Minha
Mãe dizia
Hoje acordei com a lembrança insistente
de um dos provérbios que ouvi à exaustão quando era jovem: “Quem não se
enfeita, por si se enjeita”. Como sempre
faço quando algo se me apresenta à reflexão, fiquei tentando extrair algum
sentido, não dos “ensinamentos” que o ditado poderia (ou não) conter, mas
do fato de (man)tê-lo como pano de fundo durante parte da manhã - como aquelas
músicas que, de repente, se instalam em nossa mente a (nos fazer) cantarolar
por horas a fio.
Ditos populares, a meu ver, nem
sempre são tão ingênuos ou, se preferirem, simplórios, quanto as pessoas que os
repetem a torto e a direito. Por outro
lado, nem sempre contêm a sabedoria apregoada por nossos antepassados. Em outras palavras, eu diria que provérbios
são como os livros de auto-ajuda: uma bengala para aqueles cujos pensamentos
capengam por falta de uso, mas que – até por isso mesmo -, não deixam de ter alguma
utilidade.
Uma das questões mais perversas
desses bordões é que suas receitas, em geral, incluem dentre seus ingredientes ‘generosas’
doses de preconceito adocicadas com algumas colheradas de mel de suspeita
qualidade: a ‘pretensa’ sabedoria neles contidas. Não posso imaginar, por
exemplo, uma mãe repetindo o provérbio em questão a seu filho adolescente. Ao
contrário, provavelmente, como ouvi recentemente de uma mãe “zelosa de seus
deveres”, ela diria: “Troca essa bermuda toda amassada, rapaz! Vão pensar que
você não tem mãe (pra cuidar de suas roupas)”.
Às meninas é incutida a ideia de
que precisam se enfeitar para serem aceitas, até por si mesmas. Os meninos, ao contrário, são aceitos pelo
simples fato pertencerem ao sexo masculino, ou melhor, serem “homens com H
maiúsculo”, pois se não o forem, dá-lhe provérbios, piadas e toda sorte de
discriminações quiçá mais violentas que as reservadas às mulheres...
O fato é que, feliz ou
infelizmente, cresci ao som de ditados, nos quais minha mãe, em sua santa
ingenuidade de órfã precoce, sempre foi pródiga. Contestadora, às vezes eu
reagia à ‘lição’ e era colocada “de castigo” pelo desrespeito, sentada em um
banquinho (até confortável, diga-se de passagem), para pensar “sobre tudo isso”!?. E eu pensava mesmo! Pensava tanto que me habituei a refletir a
respeito de tudo que ouço-leio-vejo-sinto, embora não seja muito afeita a
sentar em banquinhos... Pensava tanto, que não via o tempo passar e, até hoje
me entrego com prazer a essa espécie de “solitude criativa”.
Enfim, acredito válido considerar
a lembrança da ‘máxima’ em questão, como uma sincronicidade, o que me levou a
conceber uma nova série em meus escritos, a que intitularei “Minha mãe dizia”. Embora meu baú de relíquias da espécie “ditos
populares” esteja razoavelmente sortido, as sugestões dos amigos e amigas com
certeza mais o enriquecerá.
Namastê!
sábado, 1 de fevereiro de 2014
"O Mundo da Lua"
O Mundo da Lua
Há exatos
trinta anos
você
atravessou meu caminho
sequer um
carinho trocamos
a não ser
aquele beijinho
que
minh’alma perfurou
minha lucidez
sombreou.
Ah, o
dourado perfeito
daquele tufo
em seu peito
o verde-mar
tão profundo
daquele
olhar vagabundo
que por
pouco, muito pouco
não
transforma o meu caminho
mas balançou
o meu mundo.
Chorei rios
mares oceanos
de uma
paixão desmedida
plena de
atos insanos
de dia até
disfarçava
à noite
soltava o pranto
e os alvos
lençóis molhava.
Penélope
revivida
confeccionei
muitos mantos
mas você,
Odisseu, não voltou
sequer
notícias mandou
e eu
prossegui na vida
a tecer o
cotidiano
do
sofrimento esquecida.
Há exatos
trinta anos
você não
chegou a ser meu
eu não
cheguei a ser sua
mas por baixos
e altiplanos
por dias
meses e anos
andei no
Mundo da Lua.
Você não
chegou a ser meu
Eu não
cheguei a ser sua
Mas por dias
meses anos
Andei no
‘mundo da lua’.
Publ. na
Antologia “O Mundo da Lua” que está sendo lançada hoje (01/02/2014) em Lisboa, Portugal, pela Lua de Marfim
Editora, em grande festa comemorativa de seu aniversário. Ainda não tive acesso aos nºs das páginas
respectivas.
sexta-feira, 10 de janeiro de 2014
Exortação para a Paz
Exortação
para a Paz
Suzete Carvalho*
Em célebre discurso na Assembléia
das Nações Unidas, José Mujica, Presidente do Uruguai, referiu-se a uma das
mais famosas assertivas de Einstein: “Não há maior absurdo do que querer mudar
os resultados repetindo sempre a mesma fórmula”. Refletindo a respeito dessa sábia afirmação,
me ocorreu que nem sempre nos apercebemos do quanto somos repetitivos, seja em
nossas palavras, seja em nossas ações.
De alguma maneira, o dizer
científico de Einstein se encontra com a sabedoria arquimilenar de algumas
religiões, como o hinduísmo, o budismo e o próprio cristianismo, que utilizam
os mantras como fórmulas que, de tanto serem repetidas, se aninham em nossos
corações e nossas mentes, influenciando nossa forma de ser e de estar no mundo.
Como lembra minha conselheira Dª
Nena, diante desses ensinamentos é necessário que fiquemos alertas a respeito do
uso da palavra ‘violência’ que vem sendo repetida à exaustão, a ponto de se
impregnar inclusive em nossas emoções e corromper nossos relacionamentos.
Amplificado pela mídia, o medo nos coloca em um neurótico ‘estado de atenção’,
que nos faz reagir a qualquer movimento que nos pareça estranho.
Por outro lado, em que pese seu
lado consumista, consola-nos saber que ainda há esperança de reverter esse
quadro: as festas de fim de ano, especialmente as natalinas, tiveram o condão
de fortalecer a palavra ‘Paz’, a mais enunciada nos votos reciprocamente
trocados ente familiares e amigos(as), numa espécie de clamor oriundo do mais
profundo de nosso ser que encontrou eco mundo afora, com a rapidez de um raio,
ainda que virtualmente.
Embora a afirmação possa parecer
absurda às pessoas que não militam nas Redes Sociais, testemunhei pessoalmente
essa ‘força’ quando, ao postar à Zero Hora do dia primeiro do ano uma foto em
que fazia um pequeno ritual pela Paz no Mundo ao lado de minhas netas, fui contemplada
em poucos minutos com o ‘retorno’ (por via de ‘curtidas’ ou comentários), de amigos(as) residentes ou em viagem de
férias, em várias partes do planeta como, entre outros(as), Bibhu Prasad,
nepalense que reside em Dubai e Jô Ramos, jornalista carioca em passagem por
Paris de onde segue para Lisboa em seu mister de divulgar o trabalho de escritores e escritoras brasileiras .
Enfim, possamos nós fazer em 2014
uma verdadeira “exortação à Paz”, como propôs em comentário à minha postagem, o
arquivologista carioca, pesquisador de Cultura, Religião e Movimentos Sociais,
Glauco Rocha, adotando-a como um verdadeiro mantra ou, se preferirem, como a
fórmula a ser repetida e repetida até que se instale em nós de forma a fazer
com que “sejamos nós a paz que desejamos ao mundo”. Enfim, para usar as
palavras do Dalai Lama em sua Mensagem
de Ano Novo, enviada de Karnataka, na Índia: “...tentar criar a paz interior em
primeiro lugar dentro de nós e em seguida, compartilhar com outras pessoas para
construir um ano feliz”.
*A autora escreve neste espaço
toda segunda sexta-feira do mês.
Publ. no Jornal “Gazeta do Ipiranga”
nº 2828, 10/01/2014, pág. C-6.
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