BASTA UMA PALAVRA II
Madre Teresa de Calcutá, mundialmente conhecida por sua dedicação aos desvalidos da Índia, costumava dizer àquel@s que a visitavam em Calcutá, que qualquer pessoa estava capacitada a fazer caridade, eis que, muitas das vezes, basta apenas uma palavra. Ou um sorriso, poder-se-ia acrescentar.
O fato é que toda pessoa iluminada – e ela o foi, sem sombra de dúvida – consegue expressar profundos conceitos de sabedoria e amor utilizando um mínimo de palavras. É o caso do sábio conselho, pois, muitas vezes basta mesmo uma palavra para que renasçam esperanças ou para que a paz volte a encontrar guarida em corações amargurados.
Esmiuçada a expressão em todas as suas possibilidades conotativas, conseguimos detectar na frase simples, vista quase como simplória pelos donos da verdade, um alcance insuspeitado à primeira vista: Quantas vezes dizer apenas “te amo” ou “perdão” dissolveriam incertezas e ressentimentos.
Quantas vezes deixamos de dizer um simples “não”, um puro “basta”, um mero “adeus” que nos libertaria de tormentos, frustrações ou mesmo de um “distresse” – o estresse que se torna patológico. Temores reais ou imaginários, nos fazem adiar a decisão. Falta-nos coragem. Sim, coragem e decisão, estes os pressupostos da ação libertadora, tão simples e tão complexa: a palavra certa, na hora certa, para a pessoa certa.
Às vezes, verdade seja dita, faz-se necessária toda uma preparação psico-emocional ou mesmo concreta, como terminar um trabalho, fechar um ciclo. Mas, tomada a decisão, faz-se a grande descoberta: o próprio Cosmos passa a conspirar a nosso favor, as sincronicidades se apresentam como sussurros angelicais, o tempo voa nas asas de Kairós e, de repente, estamos frente a frente com nosso indefectível destino: a liberdade.
segunda-feira, 26 de abril de 2010
domingo, 11 de abril de 2010
Memória e Futuro
Hoje em dia, embora uma das palavras de ordem adotadas mundo afora seja “Preservação” - tanto do patrimônio histórico e cultural, quanto, muito especialmente, da Natureza -, nem sempre apreendemos bem a profundidade de seu significado e a importância de nossa participação cotidiana para sua defesa.
Preservar é salvaguardar tudo aquilo que está posto à nossa disposição, para que, a partir dessa realidade, possamos contribuir no sentido de qualificar cada vez mais a experiência humana no mundo, doando nossos esforços em prol de um futuro melhor.
Se não houvesse a memória, não haveria passado. Nem futuro. Um eterno presente, de repetições sem sentido. O ser humano não teria a oportunidade de aprender com seus próprios erros. Benditos erros - já que “errar é humano”, como diz o provérbio latino -, que nos permitem repensar e aprimorar a nossa postura diante da vida.
O fato é que Memória, História e Cultura são os elementos propulsores do desenvolvimento humano. Uma não existe sem a outra. Sem a memória, o ser humano, tal qual os animais, ainda estaria preso a seus instintos, inapelavelmente condenado a repetir-se. Não haveria História. Não por outro motivo, a Mitologia, com seus ensinamentos simbólicos, refere-se a Mnemosina, deusa da Memória, como mãe de Clio, a deusa da História.
A História e a Cultura são produtos das relações humanas, não se fazem apenas com grandes nomes, grandes eventos, grandes batalhas, mas com a experiência e o heroísmo anônimo e diuturno de cada um(a) de nós, que enfrentamos com garra os problemas do dia-a-dia, estudamos, trabalhamos e nos doamos às pequenas e grandes causas, lutando para que as novas gerações recebam fundamentos seguros sobre os quais construirão seu próprio futuro.
Publicada in Revista do Ypiranga, nº 149, jan/fev/2010, pág.5.
Preservar é salvaguardar tudo aquilo que está posto à nossa disposição, para que, a partir dessa realidade, possamos contribuir no sentido de qualificar cada vez mais a experiência humana no mundo, doando nossos esforços em prol de um futuro melhor.
Se não houvesse a memória, não haveria passado. Nem futuro. Um eterno presente, de repetições sem sentido. O ser humano não teria a oportunidade de aprender com seus próprios erros. Benditos erros - já que “errar é humano”, como diz o provérbio latino -, que nos permitem repensar e aprimorar a nossa postura diante da vida.
O fato é que Memória, História e Cultura são os elementos propulsores do desenvolvimento humano. Uma não existe sem a outra. Sem a memória, o ser humano, tal qual os animais, ainda estaria preso a seus instintos, inapelavelmente condenado a repetir-se. Não haveria História. Não por outro motivo, a Mitologia, com seus ensinamentos simbólicos, refere-se a Mnemosina, deusa da Memória, como mãe de Clio, a deusa da História.
A História e a Cultura são produtos das relações humanas, não se fazem apenas com grandes nomes, grandes eventos, grandes batalhas, mas com a experiência e o heroísmo anônimo e diuturno de cada um(a) de nós, que enfrentamos com garra os problemas do dia-a-dia, estudamos, trabalhamos e nos doamos às pequenas e grandes causas, lutando para que as novas gerações recebam fundamentos seguros sobre os quais construirão seu próprio futuro.
Publicada in Revista do Ypiranga, nº 149, jan/fev/2010, pág.5.
sábado, 3 de abril de 2010
Feliz Páscoa
Por uma dessas “coincidências significativas” a que estamos todos sujeitos, embora nem sempre a percebamos como tal, ontem ouvi uma conversa entre um jovem casal sobrecarregado com várias sacolas que deixavam entrever seu principal conteúdo: ovos de chocolate. O diálogo se deu mais ou menos como segue.
- “Só faço isso por eles”, disse a mulher, com certeza referindo-se às crianças que corriam logo à frente. “Na outra semana já é Dia das Mães e começa tudo de novo. Não vejo sentido nessas festas desgastantes, que dão tanto trabalho e acabam sempre em confusão”. – “Sem contar os gastos”, obtemperou seu parceiro em má hora, já que a jovem retrucou de imediato: -“A propósito, seu irmão é um pouco econômico demais para o meu gosto”.
O fato incontestável é que o Poder Econômico se assenhoreou das efemérides, de caráter leigo ou religioso, subvertendo significados e valores e redirecionando comemorações no sentido de seus próprios interesses, vale dizer, no incentivo de um consumismo desenfreado e vazio de sentido, induzindo a (des)encontros.
Com seu profundo significado de passagem, renovação, iniciação para um novo tempo, a Páscoa é (ou deveria ser) a celebração maior da cristandade, já que nos oferece a oportunidade de repensar e refazer comportamentos. Infelizmente, porém, as crianças – e, por que não dizer, os adultos - passam ao largo desse importante e ancestral simbolismo, “consumindo-se no consumir”, tão-só.
Nessa altura de minhas divagações, para não fugir à regra, minha conselheira Dª Nena oferece sua “sabedoria prática”, de forma um tanto contundente: - “O título não condiz com o conteúdo da crônica. É propaganda enganosa”. Pasma com a invasão terminológica na minha seara, retruco: -“Agora eu te peguei. Tem tudo a ver, sim, pois meus votos são de que @s leitor@s possam, nesta Páscoa, concretizar o verdadeiro simbolismo da passagem, dando início a um tempo de renovação, paz e amor”.
- “Só faço isso por eles”, disse a mulher, com certeza referindo-se às crianças que corriam logo à frente. “Na outra semana já é Dia das Mães e começa tudo de novo. Não vejo sentido nessas festas desgastantes, que dão tanto trabalho e acabam sempre em confusão”. – “Sem contar os gastos”, obtemperou seu parceiro em má hora, já que a jovem retrucou de imediato: -“A propósito, seu irmão é um pouco econômico demais para o meu gosto”.
O fato incontestável é que o Poder Econômico se assenhoreou das efemérides, de caráter leigo ou religioso, subvertendo significados e valores e redirecionando comemorações no sentido de seus próprios interesses, vale dizer, no incentivo de um consumismo desenfreado e vazio de sentido, induzindo a (des)encontros.
Com seu profundo significado de passagem, renovação, iniciação para um novo tempo, a Páscoa é (ou deveria ser) a celebração maior da cristandade, já que nos oferece a oportunidade de repensar e refazer comportamentos. Infelizmente, porém, as crianças – e, por que não dizer, os adultos - passam ao largo desse importante e ancestral simbolismo, “consumindo-se no consumir”, tão-só.
Nessa altura de minhas divagações, para não fugir à regra, minha conselheira Dª Nena oferece sua “sabedoria prática”, de forma um tanto contundente: - “O título não condiz com o conteúdo da crônica. É propaganda enganosa”. Pasma com a invasão terminológica na minha seara, retruco: -“Agora eu te peguei. Tem tudo a ver, sim, pois meus votos são de que @s leitor@s possam, nesta Páscoa, concretizar o verdadeiro simbolismo da passagem, dando início a um tempo de renovação, paz e amor”.
quinta-feira, 25 de março de 2010
Princesa da Orla III
Minha/nossa linda Guarujá, aqui estou eu a seus pés uma vez mais e, como sempre, sua beleza me inspira, mesmo nos momentos em que, como agora, o sol está a brincar de esconde-esconde, por entre nuvens carrancudas. Nesse re-encanto inspirador da brincadeira cósmica, postei, já em 05/09/2009, o poema “Marcas Fugazes”, que, embora não o tenha revelado no tempo devido (mea culpa), foi escrito em tua homenagem.
O fato é que, nos últimos, digamos...55 anos(!) me permito voltar a brincar de poetiza de tempos em tempos e, agora, tenho a feliz oportunidade de participar do projeto “Duplo Olhar – Micropoemas em Macrofotografias”, em parceria com a fotógrafa e artista plástica Cristina Domingos, munícipe de Santos, cujo site pode ser acessado (como informei na postagem anterior) em link deste blog.
Alguns dos micropoemas foram criados especialmente para a Mostra que faremos em junho; outros foram extraídos de m/escritos poéticos ou em prosa, antigos ou mais recentes, como o poema acima citado, concebido em um passeio pelo calçadão de Pitangueiras numa tarde carregada de nuvens e nostalgia. As marcas fugazes deixadas na areia, à mercê do “des-com-passo” das ondas, entre outras tantas jóias metafóricas que a natureza nos oferece, são instrumentos sincronísticos que se oferecem para transporte da alma a paragens transcendentais.
Paragens habitadas por musas e por moiras, a traçar destinos, encontros e desencontros nos quais a arte emerge como força mediadora... E lá ia eu mergulhando nos mares mitológicos, quando sou trazida à realidade por uma voz arquetípica: meu alter (ou super?) ego – Dª Nena, minha super-conselheira: - “Você começou com uma ode ao sol das três horas da tarde e vai encerrar sob a luz do luar da meia-noite. Isso é o que acontece com quem quer fazer tudo ao mesmo tempo”.
Tento brincar, já que o lúdico é o mote da postagem: - “É que eu sou polivalente”. – “Nem tanto, pois você veio ao Guarujá exatamente pra fugir do estresse. Porque não dá um tempo a si própria? Trate de ir dormir, pra amanhã cedo poder aproveitar a beleza da praia, pés na areia e...” – “Era exatamente sobre isso que eu estava escrevendo. Imagine que...” – “É isso, seu problema é excesso de imaginação. Boa noite”.
Boa noite, Dª Nena; boa noite minha/nossa linda Guarujá, que agora vou me entregar aos braços de Morfeu, o deus m i t o l ó g i c o do............zzzzzzzzzzzzzzzzzzzz.
O fato é que, nos últimos, digamos...55 anos(!) me permito voltar a brincar de poetiza de tempos em tempos e, agora, tenho a feliz oportunidade de participar do projeto “Duplo Olhar – Micropoemas em Macrofotografias”, em parceria com a fotógrafa e artista plástica Cristina Domingos, munícipe de Santos, cujo site pode ser acessado (como informei na postagem anterior) em link deste blog.
Alguns dos micropoemas foram criados especialmente para a Mostra que faremos em junho; outros foram extraídos de m/escritos poéticos ou em prosa, antigos ou mais recentes, como o poema acima citado, concebido em um passeio pelo calçadão de Pitangueiras numa tarde carregada de nuvens e nostalgia. As marcas fugazes deixadas na areia, à mercê do “des-com-passo” das ondas, entre outras tantas jóias metafóricas que a natureza nos oferece, são instrumentos sincronísticos que se oferecem para transporte da alma a paragens transcendentais.
Paragens habitadas por musas e por moiras, a traçar destinos, encontros e desencontros nos quais a arte emerge como força mediadora... E lá ia eu mergulhando nos mares mitológicos, quando sou trazida à realidade por uma voz arquetípica: meu alter (ou super?) ego – Dª Nena, minha super-conselheira: - “Você começou com uma ode ao sol das três horas da tarde e vai encerrar sob a luz do luar da meia-noite. Isso é o que acontece com quem quer fazer tudo ao mesmo tempo”.
Tento brincar, já que o lúdico é o mote da postagem: - “É que eu sou polivalente”. – “Nem tanto, pois você veio ao Guarujá exatamente pra fugir do estresse. Porque não dá um tempo a si própria? Trate de ir dormir, pra amanhã cedo poder aproveitar a beleza da praia, pés na areia e...” – “Era exatamente sobre isso que eu estava escrevendo. Imagine que...” – “É isso, seu problema é excesso de imaginação. Boa noite”.
Boa noite, Dª Nena; boa noite minha/nossa linda Guarujá, que agora vou me entregar aos braços de Morfeu, o deus m i t o l ó g i c o do............zzzzzzzzzzzzzzzzzzzz.
terça-feira, 16 de março de 2010
Cromoterapia I*
Flora natural
A colorir e curar
As chagas do mundo.
Cromoterapia divina.
A colorir e curar
As chagas do mundo.
Cromoterapia divina.
* Micropoema que comporá uma das telas do trabalho que a artista plástica Cristina Domingos está preparando para nossa Exposição DUPLO OLHAR - MICROPOEMAS EM MACROFOTOGRAFIAS.
Os poemas que compus para essa série estão sendo inseridos artisticamente em macrofotografias selecionadas para a Mostra.
O site de Cristina Domingos está linkado no blog.
segunda-feira, 8 de março de 2010
Dia da Mulher
Ano passado, nesta data, postei uma mensagem intitulada “Dia Internacional de Quem?. Hoje, tendo acabado de entregar o ensaio “Consumismo – Uma questão de Poder” às organizadoras da Coletânea sobre os “20 anos do Código do Consumidor”, a ser lançada em junho, me ocorre perguntar: A quem aproveitam comemorações como o Dia da Mulher, do Idoso, da Criança, etc.?
Antes de mais nada, por questão de justiça, amor e amizade, devo declarar que nos últimos meses tive a honra e o prazer de escrever esse e outros dois trabalhos (“O trabalho Juvenil como panacéia – Uma desconstrução” e “Segregação Ocupacional da Mulher”) em co-participação com a jurista Patrícia Tuma M. Bertolin, a quem já tive oportunidade de citar no blog[1] .
Faço o registro como uma homenagem a todas as mulheres, esposas/mães profissionais ou “meras” donas de casa (quando as possuem), que se desdobram em todos os quadrantes da Terra para atender aos homens, a quem nunca foi dedicado um “Dia”, quiçá porque todos os dias/minutos/horas ainda, de certa forma, lhes pertençam.
Mas, honra seja feita também aos homens cuja supremacia tem sido posta à prova nestes novos tempos em que a mulher foi à luta para (re)conquistar o lugar do qual foi desalojada desde os tempos da Deusa-Mãe, com o (des)assentamento androcrático; aos homens de boa vontade que, superando seus próprios preconceitos, se fazem parceiros de todas as horas – não apenas na alegria e na dor – mas, principalmente no trabalho cotidiano do lar, antes reduto (e ônus) exclusivo das mulheres.
Possamos nós, heróis e heroínas anônim@s de todas as idades, raças e credos, encontrar um caminho de equilíbrio de nossas potencialidades para que todos os dias sejam dignos do ser humano, sem que nos precisemos dobrar a injunções dos que se acreditam donos do poder, seja econômico, androcrático ou divino.
[1] Vide “De Rios e agradecimentos”, postado em 13/09/2009
Antes de mais nada, por questão de justiça, amor e amizade, devo declarar que nos últimos meses tive a honra e o prazer de escrever esse e outros dois trabalhos (“O trabalho Juvenil como panacéia – Uma desconstrução” e “Segregação Ocupacional da Mulher”) em co-participação com a jurista Patrícia Tuma M. Bertolin, a quem já tive oportunidade de citar no blog[1] .
Faço o registro como uma homenagem a todas as mulheres, esposas/mães profissionais ou “meras” donas de casa (quando as possuem), que se desdobram em todos os quadrantes da Terra para atender aos homens, a quem nunca foi dedicado um “Dia”, quiçá porque todos os dias/minutos/horas ainda, de certa forma, lhes pertençam.
Mas, honra seja feita também aos homens cuja supremacia tem sido posta à prova nestes novos tempos em que a mulher foi à luta para (re)conquistar o lugar do qual foi desalojada desde os tempos da Deusa-Mãe, com o (des)assentamento androcrático; aos homens de boa vontade que, superando seus próprios preconceitos, se fazem parceiros de todas as horas – não apenas na alegria e na dor – mas, principalmente no trabalho cotidiano do lar, antes reduto (e ônus) exclusivo das mulheres.
Possamos nós, heróis e heroínas anônim@s de todas as idades, raças e credos, encontrar um caminho de equilíbrio de nossas potencialidades para que todos os dias sejam dignos do ser humano, sem que nos precisemos dobrar a injunções dos que se acreditam donos do poder, seja econômico, androcrático ou divino.
[1] Vide “De Rios e agradecimentos”, postado em 13/09/2009
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
Harmonia
O ribeirão, num crescendo,
chega ao mar,
se arremessa em choque, e...
Ironia!
O turbilhão anuncia e
faz gerar
a harmonia.
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