Antes do advento dos Shopping Centers e da Internet no Brasil, era comum nos depararmos com tabuletas afixadas nos estabelecimentos comerciais com a informação: “FECHADO PARA BALANÇO”. Meus pais e avós, comerciantes na região do Ipiranga desde os anos 30, costumavam pedir a colaboração dos mais jovens, nesse controle (manual) das perdas e ganhos, em especial após fases de movimento mais intenso.
Estante por estante, procedíamos a uma faxina generalizada e contávamos a mercadoria, separando e remarcando preços nas peças que se adaptavam à segunda importante etapa da vida comercial - a “Queima de Estoque” -, preparatória de uma nova etapa: o lançamento das novidades que compunham a “última moda”. Meu pai, um exemplo de desapego de bens materiais, praticamente “torrava” algumas mercadorias para torná-las accessíveis aos mais desfavorecidos, chegando ao limite de distribuir-lhes, gratuitamente, alimentação e medicamentos, levando-nos quase à falência.
Interrompendo essas lembranças, Dona Nena, conselheira sempre atenta às minhas elucubrações mentais, insinua: - “Percebe a metáfora?”. – “Sim, querida, percebo. Após uma fase prenhe de intenso movimento físico e emocional ‘fechei para balanço’ meu estabelecimento intelectual, tentando ‘faxinar as estantes do self’ e separando dores para uma ‘queima do estoque de sofrimento’, como preparação de uma nova etapa.”
Nesse controle (mental) de perdas e ganhos, analiso os porquês (das perdas) e descubro minha própria participação nas situações – talvez um certo despreparo para enfrentar as peças que a vida nos prega. Assim, conclui ser de bom alvitre pedir ‘concordata intelectual’ para poder continuar a trabalhar e saldar as dívidas contraídas com a cultura de Paz que abracei. Não cheguei à falência, porque sei que posso contar com o precioso apoio de credor@s (leia-se leitor@s), que acreditam na potencialidade curativa da imaginação.
Enfim, esse ‘blá-blá-blá’ filosófico foi a forma que encontrei de pedir desculpas pelo semi-abandono a que ficou (uma vez mais) relegado o blog, premida que estive por circunstâncias que (quase) fugiram a meu controle. Reabro, pois, meu “estabelecimento cultural”, embora ainda sob ‘regime falimentar’ oferecendo humildemente a tod@s meus parcos conhecimentos. Quiçá as (tormentosas) experiências que vivi recentemente possam de alguma forma nos ser úteis a tod@s. Envidarei esforços nesse sentido.
Namastê.
terça-feira, 29 de junho de 2010
quarta-feira, 9 de junho de 2010
NÓ GÓRDIO V
Em Nó Górdio IV, postado em 25 de agosto de 2009, abordei a questão da rotina como algo que embaraça nossos passos, condenando-nos à repetição e ao monólogo, embora nos aflore com uma enganadora sensação de segurança. Ao final, deixei como proposta de reflexão a seguinte pergunta: “Afinal, estamos condenados a nos repetir ad eternum ou a rotina (de pensamentos, palavras ações e meras atitudes semi-automáticas do cotididano) seria mais um nó górdio a ser desatado?”.
Ao reler, agora, os comentários à série de Artigos “Nó Górdio”, percebo que a jornalista Maristela Ajalla já havia proposto, em 27/05/2009, uma interessante “saída” para a ambiguidade da questão, ao lembrar que: "Se existem possibilidades de desenroscos dos passos do passado, só mesmo com novos enroscos nos passos do presente” (pois) “O enroscar é um ciclo... o coro das Moiras”.
O fato é que, acreditando poder nos desembaraçar da rotina estafante, muitas vezes somos colhidos nas tramas da imensa teia de relacionamentos que a todos envolve – já que o mundo nada mais é do que uma complexa rede de experiências, saberes e relações – e, inadvertidamente, acabamos aprisionados em algum novo “nó” caprichosamente apertado pelas artesãs do destino humano.
Melhor seria contentarmo-nos com as tediosas pequenas agruras do cotidiano rotineiro? Seria nosso desejo de transcendência uma afronta às determinações das deusas que, enfurecidas, criariam um sobre-acúmulo de nós górdios ao acionar a roda da Fortuna, de forma a emaranhar ainda mais os fios que traçam nossos destinos? Seríamos nós, afinal, meros joguetes em mãos de prepotentes demiurgos ou as mazelas em que nos envolvemos – seja na passividade da rotina, seja na tentativa de afrontar o destino – devem ser debitadas a nós própri@s, nossos pensamentos, palavras, ações e omissões?.
Desculpem-me @s leitor@s o afastamento involuntário das postagens neste blog – menina de meus olhos de tudo que escrevinho -, mas, como espero ter deixado claro, fui levada (durante os últimos tempos) de roldão por mares revoltos, nunca dantes navegados. Questões de toda ordem se apresentaram, impondo cuidados e afazeres, mas, perdoem-me as Senhoras do Destino, não me renderei enquanto as forças vitais não abandonarem meu corpo (mesmo que cansado e dolorido) e minh’alma prenhe ainda de inspiração.
Ao reler, agora, os comentários à série de Artigos “Nó Górdio”, percebo que a jornalista Maristela Ajalla já havia proposto, em 27/05/2009, uma interessante “saída” para a ambiguidade da questão, ao lembrar que: "Se existem possibilidades de desenroscos dos passos do passado, só mesmo com novos enroscos nos passos do presente” (pois) “O enroscar é um ciclo... o coro das Moiras”.
O fato é que, acreditando poder nos desembaraçar da rotina estafante, muitas vezes somos colhidos nas tramas da imensa teia de relacionamentos que a todos envolve – já que o mundo nada mais é do que uma complexa rede de experiências, saberes e relações – e, inadvertidamente, acabamos aprisionados em algum novo “nó” caprichosamente apertado pelas artesãs do destino humano.
Melhor seria contentarmo-nos com as tediosas pequenas agruras do cotidiano rotineiro? Seria nosso desejo de transcendência uma afronta às determinações das deusas que, enfurecidas, criariam um sobre-acúmulo de nós górdios ao acionar a roda da Fortuna, de forma a emaranhar ainda mais os fios que traçam nossos destinos? Seríamos nós, afinal, meros joguetes em mãos de prepotentes demiurgos ou as mazelas em que nos envolvemos – seja na passividade da rotina, seja na tentativa de afrontar o destino – devem ser debitadas a nós própri@s, nossos pensamentos, palavras, ações e omissões?.
Desculpem-me @s leitor@s o afastamento involuntário das postagens neste blog – menina de meus olhos de tudo que escrevinho -, mas, como espero ter deixado claro, fui levada (durante os últimos tempos) de roldão por mares revoltos, nunca dantes navegados. Questões de toda ordem se apresentaram, impondo cuidados e afazeres, mas, perdoem-me as Senhoras do Destino, não me renderei enquanto as forças vitais não abandonarem meu corpo (mesmo que cansado e dolorido) e minh’alma prenhe ainda de inspiração.
segunda-feira, 17 de maio de 2010
Trabalho Voluntário
Toda ação humana requer algum tipo de esforço, de vontade, de construção. Seja físico, intelectual ou artístico, o fato é que o trabalho faz parte do cotidiano de, praticamente, todos os seres humanos, embora seja dito a bem da verdade, que algumas pessoas trabalham bem mais do que outras.
Construir uma vida, uma família, uma empresa, um clube, requer muita dedicação, num trabalho constante de amor e, nesse sentido, o Dia do Trabalho – em que pese a importância das reivindicações trabalhistas - poderia hoje também ser visto como uma espécie de celebração do próprio viver, uma homenagem aos homens e mulheres de todos os quadrantes, que anônima e heroicamente formaram a Cultura e a História humanas.
A luta pela sobrevivência que, de uma forma ou de outra, nos envolve a todos, não pode ser o único sentido da vida. Doar-se, num trabalho de amor desinteressado – a par do merecido descanso e lazer que todos merecemos –, visando melhor qualidade de vida para todas as pessoas, é doar a si próprio um novo sentido para o viver. Esse o porquê do Trabalho Voluntário.
Trabalho cansa, mas não estressa. O que estressa é nosso interior não trabalhado. É também, perceber a indiferença no olhar das pessoas, ante tantas causas de interesse comum – às vezes vitais, como a questão do meio-ambiente, que já nos afeta a olhos vistos. E não se diga que não temos tempo ou competência para fazer a nossa parte, pois cada um de nós é um universo de riquezas inexploradas. Por outro lado, é voz corrente que quando precisamos de ajuda, devemos pedir a quem é muito ocupado, pois o tempo nada mais é do que uma convenção (ou desculpa) encontrada pelos seres humanos para justificar sua trajetória na Terra.
Enfim, sejamos homens ou mulheres, jovens ou idosos, navegamos todos no mesmo barco a singrar esses mares revoltos dos relacionamentos, embora nem sempre nos apercebamos de que se houver um naufrágio ficaremos todos à deriva. Esse o caráter do trabalho voluntário: ajudar a equilibrar o barco – seja ele representado por uma comunidade específica ou por toda a humanidade.
Publ. in Revista do Cay nº 150, maio/junho - 2010, pág. 5.
Construir uma vida, uma família, uma empresa, um clube, requer muita dedicação, num trabalho constante de amor e, nesse sentido, o Dia do Trabalho – em que pese a importância das reivindicações trabalhistas - poderia hoje também ser visto como uma espécie de celebração do próprio viver, uma homenagem aos homens e mulheres de todos os quadrantes, que anônima e heroicamente formaram a Cultura e a História humanas.
A luta pela sobrevivência que, de uma forma ou de outra, nos envolve a todos, não pode ser o único sentido da vida. Doar-se, num trabalho de amor desinteressado – a par do merecido descanso e lazer que todos merecemos –, visando melhor qualidade de vida para todas as pessoas, é doar a si próprio um novo sentido para o viver. Esse o porquê do Trabalho Voluntário.
Trabalho cansa, mas não estressa. O que estressa é nosso interior não trabalhado. É também, perceber a indiferença no olhar das pessoas, ante tantas causas de interesse comum – às vezes vitais, como a questão do meio-ambiente, que já nos afeta a olhos vistos. E não se diga que não temos tempo ou competência para fazer a nossa parte, pois cada um de nós é um universo de riquezas inexploradas. Por outro lado, é voz corrente que quando precisamos de ajuda, devemos pedir a quem é muito ocupado, pois o tempo nada mais é do que uma convenção (ou desculpa) encontrada pelos seres humanos para justificar sua trajetória na Terra.
Enfim, sejamos homens ou mulheres, jovens ou idosos, navegamos todos no mesmo barco a singrar esses mares revoltos dos relacionamentos, embora nem sempre nos apercebamos de que se houver um naufrágio ficaremos todos à deriva. Esse o caráter do trabalho voluntário: ajudar a equilibrar o barco – seja ele representado por uma comunidade específica ou por toda a humanidade.
Publ. in Revista do Cay nº 150, maio/junho - 2010, pág. 5.
quarta-feira, 5 de maio de 2010
XEQUE-MATE
Como toda escritora que se preza, procuro manter olhos e ouvidos bem abertos (e, na medida do possível, a boca fechada – ainda que não me rodeiem mosquitos). Assim, eventualmente, sou brindada pela inspiração com alguns insights mais (do meu ponto de vista) ou menos (do ponto de vista d@s crític@s de plantão) interessantes.
Consideradas as palavras acima como mero preâmbulo, o que quero dizer é que a(o) observador(a) mais atento, toda reunião de pessoas com objetivos “pretensamente” comuns, seja em encontros de trabalho ou mesmo familiares, acaba se revelando como um microcosmo que reflete as mazelas – e as alegrias, porque não dizer - da sociedade como um todo.
Assim, por conta da fidelidade a compromissos sócio-familiares - e quem não os tem -, tenho participado necessariamente de discussões, debates ou diálogos (como eu preferiria poder chamar esses encontros sobre temas de “interesse comum”) que me permitem filosofar sobre nossos papéis nos diferentes contextos relacionais e as máscaras que utilizamos para desempenhá-los.
Peões e peoas despreparad@s que somos neste descomunal jogo de xadrez em que transformamos a vida, movemos nossos egos (ou por eles somos movid@s) em busca do xeque-mate – meta suprema de tod@ jogador@ -, medindo “forças” com o pretenso adversário, sem nos darmos conta de que @ outr@ é apenas um(a) parceir@ e de que o objetivo do jogo é o aprimoramento de nossas potencialidades.
Abrir caminho para a vitória “comendo” peças que possam tornar-se empecilhos, tocaiar @ inimig@, excluí-l@ sempre que possível, nos causam verdadeiro frenesi nessa ânsia desenfreada pela dominação. Humilhar o Rei – aquel@ em quem projetamos poderes imaginários -, subjugando-o e o fazendo dobrar-se ante tod@s é o supremo delírio a inflar nossos egos.
Consideradas as palavras acima como mero preâmbulo, o que quero dizer é que a(o) observador(a) mais atento, toda reunião de pessoas com objetivos “pretensamente” comuns, seja em encontros de trabalho ou mesmo familiares, acaba se revelando como um microcosmo que reflete as mazelas – e as alegrias, porque não dizer - da sociedade como um todo.
Assim, por conta da fidelidade a compromissos sócio-familiares - e quem não os tem -, tenho participado necessariamente de discussões, debates ou diálogos (como eu preferiria poder chamar esses encontros sobre temas de “interesse comum”) que me permitem filosofar sobre nossos papéis nos diferentes contextos relacionais e as máscaras que utilizamos para desempenhá-los.
Peões e peoas despreparad@s que somos neste descomunal jogo de xadrez em que transformamos a vida, movemos nossos egos (ou por eles somos movid@s) em busca do xeque-mate – meta suprema de tod@ jogador@ -, medindo “forças” com o pretenso adversário, sem nos darmos conta de que @ outr@ é apenas um(a) parceir@ e de que o objetivo do jogo é o aprimoramento de nossas potencialidades.
Abrir caminho para a vitória “comendo” peças que possam tornar-se empecilhos, tocaiar @ inimig@, excluí-l@ sempre que possível, nos causam verdadeiro frenesi nessa ânsia desenfreada pela dominação. Humilhar o Rei – aquel@ em quem projetamos poderes imaginários -, subjugando-o e o fazendo dobrar-se ante tod@s é o supremo delírio a inflar nossos egos.
segunda-feira, 26 de abril de 2010
BASTA UMA PALAVRA - II
BASTA UMA PALAVRA II
Madre Teresa de Calcutá, mundialmente conhecida por sua dedicação aos desvalidos da Índia, costumava dizer àquel@s que a visitavam em Calcutá, que qualquer pessoa estava capacitada a fazer caridade, eis que, muitas das vezes, basta apenas uma palavra. Ou um sorriso, poder-se-ia acrescentar.
O fato é que toda pessoa iluminada – e ela o foi, sem sombra de dúvida – consegue expressar profundos conceitos de sabedoria e amor utilizando um mínimo de palavras. É o caso do sábio conselho, pois, muitas vezes basta mesmo uma palavra para que renasçam esperanças ou para que a paz volte a encontrar guarida em corações amargurados.
Esmiuçada a expressão em todas as suas possibilidades conotativas, conseguimos detectar na frase simples, vista quase como simplória pelos donos da verdade, um alcance insuspeitado à primeira vista: Quantas vezes dizer apenas “te amo” ou “perdão” dissolveriam incertezas e ressentimentos.
Quantas vezes deixamos de dizer um simples “não”, um puro “basta”, um mero “adeus” que nos libertaria de tormentos, frustrações ou mesmo de um “distresse” – o estresse que se torna patológico. Temores reais ou imaginários, nos fazem adiar a decisão. Falta-nos coragem. Sim, coragem e decisão, estes os pressupostos da ação libertadora, tão simples e tão complexa: a palavra certa, na hora certa, para a pessoa certa.
Às vezes, verdade seja dita, faz-se necessária toda uma preparação psico-emocional ou mesmo concreta, como terminar um trabalho, fechar um ciclo. Mas, tomada a decisão, faz-se a grande descoberta: o próprio Cosmos passa a conspirar a nosso favor, as sincronicidades se apresentam como sussurros angelicais, o tempo voa nas asas de Kairós e, de repente, estamos frente a frente com nosso indefectível destino: a liberdade.
Madre Teresa de Calcutá, mundialmente conhecida por sua dedicação aos desvalidos da Índia, costumava dizer àquel@s que a visitavam em Calcutá, que qualquer pessoa estava capacitada a fazer caridade, eis que, muitas das vezes, basta apenas uma palavra. Ou um sorriso, poder-se-ia acrescentar.
O fato é que toda pessoa iluminada – e ela o foi, sem sombra de dúvida – consegue expressar profundos conceitos de sabedoria e amor utilizando um mínimo de palavras. É o caso do sábio conselho, pois, muitas vezes basta mesmo uma palavra para que renasçam esperanças ou para que a paz volte a encontrar guarida em corações amargurados.
Esmiuçada a expressão em todas as suas possibilidades conotativas, conseguimos detectar na frase simples, vista quase como simplória pelos donos da verdade, um alcance insuspeitado à primeira vista: Quantas vezes dizer apenas “te amo” ou “perdão” dissolveriam incertezas e ressentimentos.
Quantas vezes deixamos de dizer um simples “não”, um puro “basta”, um mero “adeus” que nos libertaria de tormentos, frustrações ou mesmo de um “distresse” – o estresse que se torna patológico. Temores reais ou imaginários, nos fazem adiar a decisão. Falta-nos coragem. Sim, coragem e decisão, estes os pressupostos da ação libertadora, tão simples e tão complexa: a palavra certa, na hora certa, para a pessoa certa.
Às vezes, verdade seja dita, faz-se necessária toda uma preparação psico-emocional ou mesmo concreta, como terminar um trabalho, fechar um ciclo. Mas, tomada a decisão, faz-se a grande descoberta: o próprio Cosmos passa a conspirar a nosso favor, as sincronicidades se apresentam como sussurros angelicais, o tempo voa nas asas de Kairós e, de repente, estamos frente a frente com nosso indefectível destino: a liberdade.
domingo, 11 de abril de 2010
Memória e Futuro
Hoje em dia, embora uma das palavras de ordem adotadas mundo afora seja “Preservação” - tanto do patrimônio histórico e cultural, quanto, muito especialmente, da Natureza -, nem sempre apreendemos bem a profundidade de seu significado e a importância de nossa participação cotidiana para sua defesa.
Preservar é salvaguardar tudo aquilo que está posto à nossa disposição, para que, a partir dessa realidade, possamos contribuir no sentido de qualificar cada vez mais a experiência humana no mundo, doando nossos esforços em prol de um futuro melhor.
Se não houvesse a memória, não haveria passado. Nem futuro. Um eterno presente, de repetições sem sentido. O ser humano não teria a oportunidade de aprender com seus próprios erros. Benditos erros - já que “errar é humano”, como diz o provérbio latino -, que nos permitem repensar e aprimorar a nossa postura diante da vida.
O fato é que Memória, História e Cultura são os elementos propulsores do desenvolvimento humano. Uma não existe sem a outra. Sem a memória, o ser humano, tal qual os animais, ainda estaria preso a seus instintos, inapelavelmente condenado a repetir-se. Não haveria História. Não por outro motivo, a Mitologia, com seus ensinamentos simbólicos, refere-se a Mnemosina, deusa da Memória, como mãe de Clio, a deusa da História.
A História e a Cultura são produtos das relações humanas, não se fazem apenas com grandes nomes, grandes eventos, grandes batalhas, mas com a experiência e o heroísmo anônimo e diuturno de cada um(a) de nós, que enfrentamos com garra os problemas do dia-a-dia, estudamos, trabalhamos e nos doamos às pequenas e grandes causas, lutando para que as novas gerações recebam fundamentos seguros sobre os quais construirão seu próprio futuro.
Publicada in Revista do Ypiranga, nº 149, jan/fev/2010, pág.5.
Preservar é salvaguardar tudo aquilo que está posto à nossa disposição, para que, a partir dessa realidade, possamos contribuir no sentido de qualificar cada vez mais a experiência humana no mundo, doando nossos esforços em prol de um futuro melhor.
Se não houvesse a memória, não haveria passado. Nem futuro. Um eterno presente, de repetições sem sentido. O ser humano não teria a oportunidade de aprender com seus próprios erros. Benditos erros - já que “errar é humano”, como diz o provérbio latino -, que nos permitem repensar e aprimorar a nossa postura diante da vida.
O fato é que Memória, História e Cultura são os elementos propulsores do desenvolvimento humano. Uma não existe sem a outra. Sem a memória, o ser humano, tal qual os animais, ainda estaria preso a seus instintos, inapelavelmente condenado a repetir-se. Não haveria História. Não por outro motivo, a Mitologia, com seus ensinamentos simbólicos, refere-se a Mnemosina, deusa da Memória, como mãe de Clio, a deusa da História.
A História e a Cultura são produtos das relações humanas, não se fazem apenas com grandes nomes, grandes eventos, grandes batalhas, mas com a experiência e o heroísmo anônimo e diuturno de cada um(a) de nós, que enfrentamos com garra os problemas do dia-a-dia, estudamos, trabalhamos e nos doamos às pequenas e grandes causas, lutando para que as novas gerações recebam fundamentos seguros sobre os quais construirão seu próprio futuro.
Publicada in Revista do Ypiranga, nº 149, jan/fev/2010, pág.5.
sábado, 3 de abril de 2010
Feliz Páscoa
Por uma dessas “coincidências significativas” a que estamos todos sujeitos, embora nem sempre a percebamos como tal, ontem ouvi uma conversa entre um jovem casal sobrecarregado com várias sacolas que deixavam entrever seu principal conteúdo: ovos de chocolate. O diálogo se deu mais ou menos como segue.
- “Só faço isso por eles”, disse a mulher, com certeza referindo-se às crianças que corriam logo à frente. “Na outra semana já é Dia das Mães e começa tudo de novo. Não vejo sentido nessas festas desgastantes, que dão tanto trabalho e acabam sempre em confusão”. – “Sem contar os gastos”, obtemperou seu parceiro em má hora, já que a jovem retrucou de imediato: -“A propósito, seu irmão é um pouco econômico demais para o meu gosto”.
O fato incontestável é que o Poder Econômico se assenhoreou das efemérides, de caráter leigo ou religioso, subvertendo significados e valores e redirecionando comemorações no sentido de seus próprios interesses, vale dizer, no incentivo de um consumismo desenfreado e vazio de sentido, induzindo a (des)encontros.
Com seu profundo significado de passagem, renovação, iniciação para um novo tempo, a Páscoa é (ou deveria ser) a celebração maior da cristandade, já que nos oferece a oportunidade de repensar e refazer comportamentos. Infelizmente, porém, as crianças – e, por que não dizer, os adultos - passam ao largo desse importante e ancestral simbolismo, “consumindo-se no consumir”, tão-só.
Nessa altura de minhas divagações, para não fugir à regra, minha conselheira Dª Nena oferece sua “sabedoria prática”, de forma um tanto contundente: - “O título não condiz com o conteúdo da crônica. É propaganda enganosa”. Pasma com a invasão terminológica na minha seara, retruco: -“Agora eu te peguei. Tem tudo a ver, sim, pois meus votos são de que @s leitor@s possam, nesta Páscoa, concretizar o verdadeiro simbolismo da passagem, dando início a um tempo de renovação, paz e amor”.
- “Só faço isso por eles”, disse a mulher, com certeza referindo-se às crianças que corriam logo à frente. “Na outra semana já é Dia das Mães e começa tudo de novo. Não vejo sentido nessas festas desgastantes, que dão tanto trabalho e acabam sempre em confusão”. – “Sem contar os gastos”, obtemperou seu parceiro em má hora, já que a jovem retrucou de imediato: -“A propósito, seu irmão é um pouco econômico demais para o meu gosto”.
O fato incontestável é que o Poder Econômico se assenhoreou das efemérides, de caráter leigo ou religioso, subvertendo significados e valores e redirecionando comemorações no sentido de seus próprios interesses, vale dizer, no incentivo de um consumismo desenfreado e vazio de sentido, induzindo a (des)encontros.
Com seu profundo significado de passagem, renovação, iniciação para um novo tempo, a Páscoa é (ou deveria ser) a celebração maior da cristandade, já que nos oferece a oportunidade de repensar e refazer comportamentos. Infelizmente, porém, as crianças – e, por que não dizer, os adultos - passam ao largo desse importante e ancestral simbolismo, “consumindo-se no consumir”, tão-só.
Nessa altura de minhas divagações, para não fugir à regra, minha conselheira Dª Nena oferece sua “sabedoria prática”, de forma um tanto contundente: - “O título não condiz com o conteúdo da crônica. É propaganda enganosa”. Pasma com a invasão terminológica na minha seara, retruco: -“Agora eu te peguei. Tem tudo a ver, sim, pois meus votos são de que @s leitor@s possam, nesta Páscoa, concretizar o verdadeiro simbolismo da passagem, dando início a um tempo de renovação, paz e amor”.
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